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França

“Coletes amarelos”: Pressionada por causa de salário alto demais, política francesa renuncia

Chantal Jouanno começou a vida profissional como lutadora de caratê antes de entrar para a política
Chantal Jouanno começou a vida profissional como lutadora de caratê antes de entrar para a política Bertrand GUAY / AFP

A ex-ministra e ex-senadora francesa Chantal Jouanno, escalada para coordenar o debate nacional sobre a crise dos “coletes amarelos”, renunciou da função. Ela foi pressionada após a revelação dos valores de seu salário, tão alto quanto o do presidente da República.

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Jouanno foi escolhida pelo primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, para dirigir os debates em busca de soluções para as reivindicações dos “coletes amarelos”, que protestam contra a queda do poder aquisitivo da população. A discussão nacional foi uma das promessas do presidente francês Emmanuel Macron para tentar acalmar o movimento que agita o país desde meados de novembro, com protestos e atos de vandalismo nas ruas da França.

No entanto, os franceses descobriram que a ex-senadora ganha mais de € 14 mil (cerca de R$ 63 mil) por mês para presidir a Comissão Nacional do Debate Público (CNDP). O valor foi criticado pela opinião pública, que considerou a remuneração incompatível com as aspirações de mais justiça social e aumento do poder aquisitivo reinvindicadas pelos “coletes amarelos”. O salário da ex-senadora é quase equivalente ao do presidente da República, que ganha cerca de € 15 mil.

De lutadora de karatê a senadora

Política atípica no panorama francês, Chantal Jouanno não passou pelas grandes escolas de administração pública de onde saem os líderes políticos do país. Sua carreira profissional começou como lutadora de caratê e chegou a ser campeã francesa da modalidade antes abraçar a política. Ela foi ministra do Esporte durante a presidência de Nicolas Sarkozy e se elegeu em seguida como senadora, cargo que deixou em 2007 antes de assumir a presidência da CNDP.

Na terça-feira (8), Jouanno anunciou que iria se retirar da coordenação da missão. Ela disse que considera que as críticas da opinião pública sobre seu salário são legítimas. “Tomei essa decisão porque acredito no debate”, disse a presidente da CNDP.

No entanto, mesmo se não dirigirá mais o debate, ela continua à frente da Comissão e mantém sua remuneração. O governo francês já está em busca de um substituto para Chantal Jouanno.

Além da queda do poder aquisitivo, a desigualdade social, marcada pela disparidade entre os salários e benefícios dos políticos e o restante da população, faz parte das críticas dos “coletes amarelos”. Os manifestantes alegam que o presidente Emmanuel Macron – como boa parte da classe dirigente – vive desconectada da realidade de seu povo.

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