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Líder italiano antissistema quer sanções da UE contra a França por “empobrecer a África”

O líder antissistema, Luigi Di Maio, durante evento do Movimento 5 Estrelas (M5S)
O líder antissistema, Luigi Di Maio, durante evento do Movimento 5 Estrelas (M5S) REUTERS/Max Rossi

O vice-primeiro-ministro italiano, Luigi di Maio, que também é líder do partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), aliado da Liga, de extrema direita, disse neste domingo (20) que quer sanções da União Europeia contra a França. Segundo ele, as antigas colônias francesas permitiram que o país se enriquecesse, ao mesmo tempo em que empobrecia a África, o que provocou, a longo termo, a crise migratória atual.

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“A União Europeia deveria sancionar a França e todos os países que, como ela, empobrecem a África e fazem com que essas pessoas [migrantes] partam, porque o lugar dos africanos é na África e não no fundo do mar Mediterrâneo”, declarou Luigi di Maio.

“Se atualmente há pessoas que migram, é porque certos países europeus, a França na liderança, nunca pararam de colonizar dezenas de nações africanas”, ressaltou o chefe do M5S. Luigi Di Maio, que também é ministro do Desenvolvimento Econômico, disse que “há vários países africanos onde a França impõe uma moeda, o ‘franco das colônias’, e com isso financia a dívida pública francesa.”

Ele também afirmou que, “se a França não tivesse colônias africanas, já que é dessa forma que devemos chamá-las, ela seria a 15ª economia mundial, mas ela está entre as primeiras por causa do que faz na África”. O ministro anunciou, por fim, uma iniciativa parlamentar do M5S nas próximas semanas para pressionar o governo e as instituições europeias a sancionar todos os países que “não descolonizarem a África”.

Tensões entre França e Itália

A animosidade entre a França e a Itália, ou mais precisamente entre o presidente francês Emmanuel Macron e o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, foi inclusive manchete do jornal conservador Le Figaro de sexta-feira (18).

"Entre os dois países vizinhos, tão próximos culturalmente, nada vai bem", destaca a publicação, citando a situação dos migrantes, o navio Aquarius, os incidentes de fronteira e os desacordos sobre o orçamento, entre outros. Mas a principal crise parece ser política. Enquanto Macron quer se afirmar como um líder do campo progressista, na Europa, Salvini seria a personificação do populismo.

Ao mesmo tempo em que as empresas italianas são massivamente compradas pelo capital francês, os italianos não suportam mais ouvir declarações de um Macron que denuncia constantemente a "lepra nacionalista" que corrói o país vizinho.

Crise entre dois países é antiga

Segundo Marc Lazar, diretor do centro de História da Sciences Po, na França, e da Universidade Livre de Estudos Sociais, em Roma, entrevistado pelo Le Figaro, a crise entre os dois países não começou na era Macron.

O analista diz que a tensão entre os dois vizinhos vem aumentando desde a intervenção francesa na Líbia, em 2011, por conta do grande fluxo de imigrantes que gerou na costa italiana. "Os italianos estão à flor da pele", conclui.

"Até agora, as tensões se resolviam mais ou menos facilmente, porque havia interesses comuns, parcerias comercias e uma profunda amizade", relembra. Mas tudo mudou com a eleição de Emmanuel Macron e a constituição do governo de Giuseppe Conte, que, segundo o historiador, precisam se afirmar como adversários.

Ainda segundo o historiador, esta é a crise mais profunda depois da Segunda Guerra Mundial, quando Itália e França estavam em campos diferentes. Ele compara ainda a relação entre os dois países à de um matrimônio: "Nós formamos um casal particularmente complicado", define.

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