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Franceses desconfiam da imprensa e pedem cobertura menos “dramática” de protestos

Coletes amarelos protestam na França
Coletes amarelos protestam na França GUILLAUME SOUVANT / AFP

Os franceses têm cada vez menos confiança nas mídias, ainda que o interesse em se manter atualizado continue forte. Isso é o que aponta a nova edição da pesquisa anual do jornal La Croix, desenvolvida em plena mobilização dos coletes amarelos e publicada nesta quinta-feira (24).

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No começo de 2018, a balança tinha subido, mas caiu no fim do ano, com os protestos dos coletes amarelos, até atingir o menor patamar desde 1987, data da primeira sondagem. A pesquisa foi feita no começo de janeiro de 2019 pelo instituto Kantar Sofres, que entrevistou 1.000 pessoas.

A televisão, mídia preferida dos franceses para se informar, tem um nível de confiança de 38% (menos 10 pontos em um ano). O rádio, tradicionalmente o mais “confiável”, tem 50% (6 pontos a menos do que em 2017), enquanto a imprensa escrita caiu para 44%, perdendo 8 pontos. Já a confiança dos franceses em relação às informações encontradas online ficou em 25%.

Além disso, cerca de ¾ dos entrevistados julgam que os jornalistas não são independentes nem do poder político, nem das pressões ligadas ao dinheiro. O ministro francês da Cultura, Franck Riester, fez menção nesta quinta-feira a vários caminhos para “reconstruir os elos de confiança” entre os jornais e os franceses, incluindo a criação de um conselho de deontologia, que deverá ser administrado por profissionais da comunicação.

“Grande espírito crítico”

“A sondagem mostra um grande espírito crítico [dos franceses]”, disse o diretor do jornal La Croix, Guillaume Goubert, durante uma mesa redonda para analisar os resultados. “Isso nos incomoda, nos perturba, mas não é uma má notícia.”

O paradoxo é que a desconfiança aumentou ao mesmo tempo em que o desejo de se manter atualizado e bem informado. Após atingir um pico por causa dos atentados de 2015, esse interesse caiu e voltou a subir no começo de 2019, em pleno movimento dos coletes amarelos.

Dois terços (67%) dos entrevistados declararam que “seguem a atualidade com grande interesse”, contra 62% em 2018. Enquanto os coletes amarelos monopolizam as grandes manchetes desde meados de novembro, apenas um terço dos franceses que participaram da pesquisa se declararam satisfeitos da cobertura dessa mobilização e quase a metade julgaram que os jornais fizeram mal seu trabalho. Os entrevistados denunciaram uma cobertura “dramática” (67%) e “aberta a pontos de vista extremos” (52%).

Coletes amarelos atacaram imprensa

No dia 11 de janeiro, os coletes amarelos barraram o depósito do diário La Voix du Nord, em Anzin, e impediram que 20 mil exemplares do dia fossem distribuídos. Cerca de 30 manifestantes ameaçaram incendiar o caminhão que havia recuperado os exemplares na gráfica e faria a entrega do jornal, conforme o diretor da publicação, Gabriel d’Harcourt. A publicação anunciou que entraria com queixa. Em dezembro, 180 mil exemplares do jornal Ouest-France foram bloqueados pelos manifestantes, em uma ação semelhante.

No dia 7 de janeiro, jornalistas da emissora BFMTV fizeram uma “greve de cobertura” da manifestação para protestar contra os ataques que os jornalistas têm recebido durante os atos de protestos. Nesse contexto, as páginas dos coletes amarelos são inundadas de vídeos ao vivo durante as manifestações. Muitos manifestantes alegam que essa é a única maneira de transmitir informações verídicas sobre as manifestações. A circulação de fake news nas redes sociais do movimento também é comum.

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