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Aviação/Airbus

“11 de setembro e crise financeira contribuíram para fim do Airbus A380”, diz especialista

A contrutora europeia anunciou nesta quinta-feira (14) o fim do Airbus A380.
A contrutora europeia anunciou nesta quinta-feira (14) o fim do Airbus A380. Wikipédia

A Airbus anunciou nesta quinta-feira (14) o fim da produção do A380, um dos maiores aviões do mundo e um símbolo da empresa, que terá as últimas entregas concluídas em 2021. O motivo é a quantidade insuficiente de encomendas e o cancelamento de um pedido de 39 exemplares do A380 pela companhia Emirates. Para o expert no setor, Yann Cochennec, editor da revista Air et Cosmos, especializada no setor aeronáutico, o fim do "monstro" da Airbus também pode ser creditado aos atentados às Torres Gêmeas em NY, de 2001, e à crise financeira que afetou esta década.

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A decisão coloca um ponto final em uma das maiores aventuras industriais europeias. O A380 tem 544 lugares e autonomia para 15.200 km sem escalas, mas consome mais combustível do que a média.

Para Yann Cochennec, o avião era “um dos emblemas da Airbus, a prova concreta de que o construtor europeu poderia fazer face a seu concorrente norte-americano, a Boeing. Airbus estava, inclusive, em condições melhores, com recursos humanos e tecnológicos em termos de inovação para produzir um avião ainda melhor que o 747”.

Para piorar a situação, o anúncio do fim do A380, nesta quinta-feira (14) coincide com o mês em que se celebra o cinquentenário do Boeing 747. “É uma coincidência difícil para a Airbus. Boeing deverá provocar o concorrente lembrando que o 747 continua em produção, e ainda durante alguns anos", diz Cochennec, em entrevista à RFI.

“É um avião que responde ao crescimento do tráfego aéreo. Era importante para uma companhia como a British Airways, por exemplo, poder dispor de um grande avião, ao invés de dois. Os aeroportos estão lotados, diminuir este tráfego era essencial”, afirma o jornalista.

Demanda do setor

Segundo Cochennec, "houve um trabalho da Airbus junto a seus clientes potenciais, não foi uma aeronave que surgiu do nada, mas de demandas de clientes como Singapore Airlines, Thai Airways, e algumas companhias chinesas também, mas não em número suficiente para compensar o que era esperado no início junto a companhias norte-americanas ou japonesas". Para ele, "com o advento do 11 de setembro e a crise financeira, houve toda uma reestruturação da rede de serviços aéreos mundial, a as companhias começaram a desejar aviões menores”.

Segundo o presidente do grupo Airbus, Tom Enders, "as últimas entregas do A380 acontecerão em 2021", completou. A Emirates substituiu o pedido por outro de 40 exemplares de modelos A330neo e 30 A350.

A Airbus não comunica o valor do pedido após a entrada em vigor de uma nova regra contábil, conhecida como IFRES15. Além disso, este não é um pedido firme e sim uma compensação. A empresa também não revela as versões da aeronave. A empresa aeronáutica informou que "conversará com os sócios nas próximas semana sobre os 3.000 a 3.500 postos de trabalho que podem ser afetados por esta decisão nos próximos três anos".

A Airbus indicou que "o atual aumento do ritmo de produção do A320 e o novo pedido de jumbos da Emirates oferecerão muitas possibilidades de mobilidade interna". A decisão era esperada, pois o futuro do A380 estava ligado à decisão, no ano passado, da companhia aérea do Golfo de adquirir 39 exemplares adicionais do A380 o que dava à Airbus "visibilidade, pelo menos, para os próximos 10 anos", afirmou na ocasião Tom Enders.

A companhia também anunciou nesta quinta-feira um lucro líquido em 2018 de € 3,054 bilhões, uma alta de 29%, e um faturamento de € 63,707 bilhões. A Airbus prevê a entrega em 2019 de 880 a 890 aviões comerciais, segundo um comunicado. A empresa aeronáutica europeia revelou ainda uma reserva de € 436 milhões relacionados ao programa do avião de transporte militar A400M.

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