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França/ Coletes amarelos

"Coletes amarelos" se manifestam para marcar os 3 meses do movimento

Manifestante vestindo colete amarelo segura uma tocha de perto do Arco do Triunfo durante uma demonstração do movimento "coletes amarelos" em Paris
Manifestante vestindo colete amarelo segura uma tocha de perto do Arco do Triunfo durante uma demonstração do movimento "coletes amarelos" em Paris REUTERS/Benoit Tessier

Milhares de "coletes amarelos" se manifestaram neste sábado (16) em Paris e em várias cidades na França, três meses após o início deste protesto, que persiste apesar de um início de cansaço na opinião pública.

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Em Paris, o reduto tradicional do protesto, uma multidão de pessoas chegou à Esplanada dos Invalides após uma caminhada em relativa calma desde a Champs-Elysées, saindo do Arco do Triunfo.

No início da tarde, o Ministério do Interior contava 10.200 manifestantes no país, incluindo 3.000 em Paris, números abaixo da semana anterior, mas regularmente contestados pelos "coletes amarelos".

Este movimento inédito, lançado em 17 de novembro do ano passado, nasceu nas redes sociais como contestação à alta do imposto sobre os combustíveis, espalhou-se por toda a França e levou o governo a medidas sociais e lançar um debate nacional .

Os "coletes amarelos" desafiam a política fiscal e social do governo, reivindicando mais poder aquisitivo e pedem, em alguns casos, a renúncia de Emmanuel Macron.

"Todo mundo odeia a polícia"

Apesar de alguns episódios de tensão, a marcha perambulou pela capital sem grandes incidentes, gritando "Todo mundo odeia a polícia".

Em Bordeaux (sudoeste), a marcha também reuniu milhares de pessoas, consolidando a cidade como um dos bastiões do movimento, apesar do medo de novos incidentes.

"Muitas pessoas não vêm mais porque veem as fotos, têm medo, eu tenho muitos amigos que preferem ficar em casa, mas ainda apoiam o movimento", diz Virginie, 42 anos.

Foi a primeira participação em uma demonstração de "coletes amarelos" para Nicole, 66 anos. Apesar do "medo da multidão, de se machucar", ela quer estar presente porque "para os aposentados, é terrível". "Em cinco anos, minha aposentadoria gradualmente caiu em 150 euros", diz ela.

Milhares de "coletes amarelos" se manifestaram em Toulouse (sudoeste), outro reduto do movimento, atrás de uma faixa proclamando sua determinação: "Somente a morte nos deterá".

 "Fratura exposta"

Para marcar os três meses do movimento, os "coletes amarelos" também voltaram às rotundas - onde tinham começado os protestos meados de novembro - no departamento de Meurthe-et-Moselle (leste).

Outros eventos reunindo de cem a mil pessoas foram realizadas, incluindo Lille (norte), Caen (noroeste), Grenoble (leste), Estrasburgo (nordeste) ou Rennes (oeste).

Esta contestação vê o amplo apoio popular de que ela desfrutava desmoronar: pela primeira vez, a maioria dos franceses (56%) quer que a mobilização pare, de acordo com uma pesquisa Elabe divulgada na quarta-feira.

Entre o governo ocupado promovendo seu "grande debate nacional", para tentar sair da crise, e os manifestantes que denunciam uma consulta de fachada, o diálogo de surdos continua.

Esta crise destaca "uma fratura social, territorial, democrática, institucional e europeia que vem de longe", disse sábado o ex-ministro francês Jean-Pierre Chevènement, em entrevista ao jornal Le Monde.

Segundo ele, a desconfiança popular em relação aos políticos vem do "fato de que nos recusamos a ver a transferência gigantesca de competências para instituições não eleitas e que não prestam contas a ninguém”, como a Comissão Europeia.

(Com informações da AFP)

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