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Cinema / Pedofilia / Padre

Justiça de Paris autoriza lançamento de filme sobre padre pedófilo francês

Cena do filme Grâce à Dieu (Graças a Deus, em português)
Cena do filme Grâce à Dieu (Graças a Deus, em português) Reprodução / Twitter / @MarsFilms

Os cinemas franceses foram autorizados por um tribunal de Paris a exibir o filme Grâce à Dieu (Graças a Deus, em português) alvo de polêmica na França. No sábado (16), o longa de François Ozon, sobre um escândalo real de pedofilia dentro da Igreja Católica da França, recebeu o grande prêmio do júri da Berlinale na Alemanha.

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O lançamento nas salas francesas está previsto para esta quarta-feira (20). A justiça de Paris, que havia sido acionada pelos advogados do padre acusado no filme, não vetou o longa. No entanto outra ação ingressada por uma psicóloga citada no filme deve ser pronunciada pelo tribunal de Lyon nesta terça-feira (19).

Grâce à Dieu conta o nascimento da associação de vítimas La Parole Liberée, fundada em Lyon em 2015 por antigos escoteiros-mirins abusados sexualmente por um padre pedófilo, Bernard Preynat, que teria molestado mais de 85 crianças. O filme conta a história de três delas, interpretadas pelos atores Melvil Poupaud, Denis Ménochet e Swann Arlaud.

Acobertamento do caso

O lançamento do filme acontece apenas um mês e meio após o julgamento do arcebispo de Lyon, Philippe Barbarin, acusado de encobrir o caso. O veredito deverá ser anunciado somente no dia 7 de março. Já o padre Preynat, indiciado em 2016, ainda não foi julgado, o que deve acontecer somente no fim de 2019, ou no início de 2020.

Para tentar adiar o lançamento do longa, um dos advogados do padre Preynat decidiu processar François Ozon, mas a justiça não acolheu a acusação considerando que o filme não prejudica o processo do padre. O juiz destacou que “o julgamento ainda não foi agendado e não deve acontecer em uma data próxima ao lançamento do filme”. O magistrado também lembrou que os espectadores “são informados, no final do filme, sobre a presunção de inocência e que o padre Preynat, que ainda não foi julgado, é atualmente considerado inocente”.

“Mostrar um homem como culpado durante duas horas, sendo que ele ainda não foi julgado, é uma afronta ao conceito de presunção de inocência e de nada adianta colocar uma frase durante dois segundos no fim do filme para lembrar que essa pessoa é inocente”, denunciou Emmanuel Mercinier, advogado de Preynat, ouvido pela rádio France Info.

Demora da justiça

Durante a cerimônia da Berlinale, François Ozon disse acreditar que os processos aconteceriam antes da estreia do filme. Segundo o diretor, o “filme não trata do noticiário”, nem “ataca a Igreja”. Ele disse buscar antes de tudo mostrar um “filme comprometido com a verdade” que “questiona” o que há de errado. “Meu filme não fala do judiciário. Ele foca no aspecto humano e no sofrimento das vítimas”, ressaltou Ozon.

Outra decisão da justiça deve ser pronunciada nesta terça-feira às 17 horas (13 horas no horário de Brasília) em Lyon, onde o tribunal de grande instância examina o recurso de uma psicóloga voluntária, que já fez parte da diocese da cidade, que pediu para que seu nome seja retirado do filme. Hoje com 80 anos, Régine Maire avalia que foi retratada de forma inadequada no longa. “Eles me mostram como se eu tivesse tido um papel primordial de psicóloga, coisa que nunca tive”, afirmou.

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