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Antissemitismo/França

Macron anuncia lei contra ódio na internet e nova definição de antissemitismo na França

O presidente francês Emmanuel Macron visita túmulos vandalizados com suásticas nazistas no cemitério judaico da Alsácia, em Quatzenheim, na França, em 19 de fevereiro de 2019.
O presidente francês Emmanuel Macron visita túmulos vandalizados com suásticas nazistas no cemitério judaico da Alsácia, em Quatzenheim, na França, em 19 de fevereiro de 2019. Frederick Florin/Pool via REUTERS

Na esteira dos protestos contra as agressões aos judeus na França na terça-feira (19), o presidente francês Emmanuel Macron participou do tradicional jantar do Crif (Conselho Representativo de Instituições Judaicas na França), nesta quarta-feira (20) à noite, em Paris. O chefe de Estado anunciou que o país adotará a definição jurídica de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), que incorpora o antissionismo. Um anúncio de peso, esperado por representantes da comunidade judaica no país.

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Segundo informações da imprensa francesa, o Palácio do Eliseu trabalha a partir de vários vetores de ação: primeiro, criar uma lei que puna plataformas online de conteúdo antissemita e racista. Em seguida, o governo francês quer intensificar a formação sobre o uso de redes sociais. O Ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, escreveu para os diretores das escolas no país para reavaliar todos os dispositivos existentes e lançou um espaço online em dezembro de 2018 para professores relatarem qualquer ato de racismo ou antissemitismo.

Mesmo se a nova definição jurídica de antissemitismo incluirá o antissionismo, não haverá lei para penalizar este último. Macron assegurou durante o encontro não ser a favor da criminalização do antissionismo, uma iniciativa defendida por Francis Kalifat, o presidente do Crif. Mas o Executivo francês está trabalhando na transposição de uma diretiva europeia, com uma definição de antissemitismo que inclui aqueles que renegam Israel.

O que é sionismo

O sionismo foi um movimento político que surgiu na comunidade judaica europeia no final do século XIX e que defendia a ideia da formação de um Estado Nacional de Israel, em um contexto de crescimento do antissemitismo no continente. Seus críticos acusam os sionistas de um nacionalismo judeu exacerbado, capaz de violências estatais como as praticadas contra palestinos na Faixa de Gaza.

Em 2018, 541 atos antissemitas foram registrados na França, de acordo com o ministro do Interior da França, Cristophe Castaner. Um número que subiu bastante (+ 74%), mas que permanece abaixo dos picos de 2014 (851) e 2004 (974).

Os desenhos representando Simone Veil, personalidade e política francesa, sobrevivente do Holocausto, pichados com suásticas nazistas em Paris, as árvores à memória de Ilan Halimi vandalizadas em Essonne, os insultos proferidos no sábado (16) contra o filósofo Alain Finkielkraut durante um protesto dos "coletes amarelos" em Paris, a profanação de cerca de cem túmulos no cemitério judaico da Alsácia, em Quatzenheim, e as pichações antissemitas descobertas nesta quarta-feira (20) em um memorial de guerra em Champagne-au-Mont-d'Or, perto de Lyon (leste), só serviram para reforçar a indignação da comunidade judia na França.

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