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Associação Herança Brasileira ajuda desenvolvimento de crianças bilíngues em Paris

Áudio 06:56
Fernanda Consoni e Namíbia de Ana, da Associação Herança Brasileira.
Fernanda Consoni e Namíbia de Ana, da Associação Herança Brasileira. RFI

Incentivar os filhos pequenos a aprenderem e utilizarem corretamente o Português pode ser um desafio para famílias que vivem no exterior. Foi pensando em transmitir a cultura e a língua do Brasil na França que surgiu, em Paris, a Associação Herança Brasileira.

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Assista à entrevista na íntegra no vídeo abaixo

Tudo começou com um grupo de pais, que hoje conta com a colaboração de diversos profissionais, voluntários e assalariados, com perfis e funções diferentes, mas a mesma paixão: ajudar o desenvolvimento de crianças em um ambiente bilíngue.

“Nós fazemos ateliês, cursos, conferências, exposições e festas destinadas à comunidade, em que os pais se reúnem em momentos de descontração em torno da Língua Portuguesa”, explica Namíbia de Ana, natural de Fortaleza e que vive na capital francesa desde 2007.

“Temos também um programa de apoio à transmissão da língua destinado às famílias e de treinamento para babás, pessoas que trabalham em creches e mesmo professores que tenham em suas classes alunos de língua estrangeira de origem”, completa a engenheira, agora dedicada ao ensino do Português e uma das fundadoras do grupo.

Formada em letras pela USP, Fernanda Consoni participa como voluntária desde o início do trabalho. Mãe de um filho pequeno franco-brasileiro e grávida de gêmeos, ela sabe como ninguém a importância de ensinar idiomas desde cedo aos pequenos.

“A língua é um instrumento social e para que se desenvolva, precisa acontecer na vida dessa criança. Precisa haver uma quantidade de exposição”, diz a coordenadora pedagógica do projeto.

“Então se só a mãe fala Português com a criança e não há uma vida comunitária, é óbvio que a exposição da criança não vai ser suficiente para que ela desenvolva a língua nas suas plenas funções”, completa. “Ela vai ter acesso ao vocabulário da casa, muitas vezes os pais nos dizem ‘ele entende tudo mas não fala nada’, mas é porque é uma língua só de recepção. A mãe fala, a criança responde em francês e a mãe entende”, explica.

“O que acontece é que há uma imensidão de configurações familiares. Há casais em que ambos são brasileiros e esses vão ter um pouquinho mais de facilidade antes de as crianças entrarem na escola porque a língua da casa é o Português.  Mas há casais mistos, em que o pai é francês e a mãe é brasileira e a língua da casa é o francês. Aí a dificuldade começa a aparecer porque há apenas um falante que transmite essa língua para a criança”, diz.

Namíbia lembra que é na língua dos pais, na pequena infância, que a criança cria as bases do seu raciocínio e de seu desenvolvimento emocional, mesmo que na escola ela seja alfabetizada em francês.

“A criança está exposta à língua desde os cinco meses de gravidez, o ouvido já está formado e ela ouve o que a mãe fala. Então o desenvolvimento cerebral é feito em paralelo a esse desenvolvimento linguístico”, diz. “A criança constrói o cérebro a partir daquilo que ela escuta. Então a importância da língua de origem é reconhecida hoje pela Educação Nacional francesa, ou seja, a língua de origem é o primeiro envelope emocional e linguístico ao qual a criança é exposta”, conlcui.

Para quem tem mais de 18 anos e não concluiu o ensino médio, a associação oferece curso preparatório para o ENCCEJA.  O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos pode ser realizado para buscar a certificação no nível de conclusão do ensino fundamental e ensino médio. O teste é aplicado em Paris desde 2016 pelo Consulado Geral do Brasil.

“Esse curso preparatório gratuito acontece aos sábados, com o apoio de professores voluntários e nós cuidamos da logística e da organização do curso. Esse ano, no entanto, estamos com muita dificuldade de conseguir uma sala para a realização das aulas”, lamenta. “Qualquer pessoa com mais de 16 anos pode fazer o cursinho e fazer a prova. Entre os 16 e os 18 anos, o estudante pode fazer a prova de ensino fundamental e, a partir dos 18, independentemente de qual foi a série cursada no Brasil, ele pode pleitear o exame de ensino médio para conseguir a certificação, que é o equivalente ao diploma do lycée francês (ensino medio).”

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