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França/Coletes Amarelos

ONU pede investigação sobre violência policial contra “coletes amarelos” na França

Ação da policia francesa durante uma manifestaçéao dos "coletes amarelos" em Paris, no sábado 9 de fevereiro.
Ação da policia francesa durante uma manifestaçéao dos "coletes amarelos" em Paris, no sábado 9 de fevereiro. Zakaria ABDELKAFI / AFP

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu nesta quarta-feira (6) que a França realize uma “investigação detalhada” sobre a violência policial registrada durante as manifestações dos “coletes amarelos”. O pedido foi feito pela diretora da agência, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, durante discurso em Genebra, em que ela também criticou as sanções contra a Venezuela.

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Michelle Bachelet falou diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Ela defendeu o direito dos coletes amarelos se manifestarem e protestarem contra o que “consideram uma exclusão deles de direitos econômicos e da participação nos negócios públicos” do país. Além de uma investigação urgente sobre a repressão policial, ela também encoraja o governo francês a continuar o diálogo com os manifestantes.

Desde o início da contestação dos “coletes amarelos”, em 17 de novembro, a Inspeção Geral da Polícia Nacional francesa registrou uma centena de acusações de uso excessivo da força contra o movimento. A maior polêmica é provocada pelo uso da arma LBD (“Lançador de Balas de Defesa”) pelos policiais franceses. Cerca de 70 “coletes amarelos” ficaram gravemente feridos e afirmam que foram atingidos por tiros de borracha lançados pela LBD. Alguns deles perderam até um olho. A França é um dos únicos países da Europa a utilizar essa arma.

Desigualdade atinge todos os países

A ex-presidente chilena lembrou que as desigualdades sociais ocorrem em todos os países, mesmo em nações prósperas. No entanto, a França foi o único dos países desenvolvidos citado nominalmente pela comissária da ONU e onde “as pessoas se sentem excluídas dos benefícios do desenvolvimento e privadas de direitos econômicos e sociais.”

Além da França, Bachelet denunciou a repressão recente contra manifestações no Sudão, no Zimbabué e no Haiti. Nesses países, os manifestantes vão às ruas pedindo reformas e muitas vezes são recebidos com “violência, detenções arbitrárias, torturas e até execuções”, deplorou a alta comissária para os Direitos Humanos da ONU.

Venezuela

Durante o discurso, Michelle Bachelet, afirmou ainda que a crise política, econômica e social na Venezuela tem sido "exacerbada pelas sanções" internacionais. Segundo ele, “a situação na Venezuela ilustra claramente a maneira como as violações dos direitos civis e políticos - incluindo a não defesa das liberdades fundamentais e a independência das instituições chave - podem acentuar um declínio dos direitos econômicos e sociais”.

O Conselho dos Direitos Humanos da ONU voltará a tratar de modo mais profundo a situação na Venezuela no dia 20 de março, na presença da alta comissária. Bachelet foi convidada em novembro por Caracas a viajar a Venezuela para "ver os efeitos das sanções". O discurso da alta comissária ocorre no momento em que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, enfrenta uma crise sem precedentes e protestos liderados pelo presidente autoproclamado, Juan Guaidó.

Maduro convoca manifestações para o dia 9 de março para marcar os quatro anos das primeiras sanções contra o país, impostas pelo então presidente americano Barack Obama. Washington pode impor em breve novas restrições de vistos americanos aos que apoiam Nicolás Maduro, informou na terça-feira (5), o representante especial dos Estados Unidos para a crise na Venezuela, Eliott Abrams.

 

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