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França

Protesto de "coletes amarelos" é marcado por distúrbios violentos em Paris

Manifestante incendeia barricada na avenida Champs-Elysées em Paris.
Manifestante incendeia barricada na avenida Champs-Elysées em Paris. REUTERS/Philippe Wojazer

Paris tem um dia tenso, com várias manifestações na capital. Os "coletes amarelos" estão nas ruas no 18° ato de mobilização, no fim de semana em que o movimento completa quatro meses. Ativistas ultrarradicais e manifestantes violentos enfrentam as tropas policiais nas ruas. Lojas, restaurantes, agências bancárias e saques foram registrados na avenida Champs-Elysées e ruas adjacentes.

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As autoridades francesas estavam cientes que a mobilização deste sábado (16) contaria com a infiltração de black blocs, inclusive vindos do exterior. Pelo menos 5 mil policiais e seis carros blindados compõem o dispositivo de segurança na capital. Outras ações estão programadas em Bordeaux, Dijon, Caen e Montpellier.

Os incidentes de violência começaram cedo, às 10h30 no horário local (6h30 em Brasília), nas proximidades do Arco do Triunfo. Manifestantes construíram barricadas e atacaram carros da polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogêneo. Policiais foram atacados com pedras e outros projéteis cortantes. Vários cortejos de "coletes amarelos" não foram declarados, de acordo com autoridades da área de segurança.

Nas redes sociais, o caminhoneiro Eric Drouet, militante histórico do movimento, disse durante a semana que era necessário acabar com o "pacifismo" das manifestações. Drouet convidou "coletes amarelos" de todo o país a se reunir na capital e citou o apoio de militantes que poderiam vir da Itália, Bélgica, Holanda, Alemanha e Polônia.

Segundo o ministro do Interior, Christophe Castaner, durante a manhã o protesto contava com 7 mil a 8 mil manifestantes, sendo 1.500 ultraviolentos. Às 16h (12h em Brasília), ele atualizou o balanço: 10 mil "coletes amarelos" nas ruas de Paris, 14.500 em todo o país. Apenas na capital, mais de uma centena de pessoas foram detidas.

O presidente Emmanuel Macron está fora da cidade. Ao retornar na sexta-feira (15) de um giro na África, Macron e a primeira-dama, Brigitte, decidiram passar o fim de semana em uma estação de esqui nos Pireneus. O chefe de Estado afirmou que precisava "recarregar as baterias".

Lojas de marcas de luxo, símbolos do capitalismo, são vandalizadas

Os estragos são impressionantes na avenida Champs-Elysées. Manifestantes radicais, munidos de barras de ferro e de paralelepípedos, quebraram vitrines de marcas de luxo, como Hugo Boss e Nespresso. O terraço do restaurante Fouquet's, local frequentado por milionários, políticos e turistas, foi destruído. Os militantes atacam "símbolos do capitalismo", mas também queimam bancas de jornal.

Na avenida Franklin Roosevelt, travessa da Champs-Elysées, uma agência bancária localizada no térreo de um edifício residencial foi incendiada. O banco fica praticamente em frente ao consulado do Brasil em Paris. Onze pessoas ficaram feridas, incluindo dois policiais que entraram no prédio para ajudar a evacuar os moradores. Segundo o Corpo de Bombeiros, uma mulher e seu bebê foram salvos das chamas depois de ficarem bloqueados no segundo andar.

"Os indivíduos que cometeram este ato não são manifestantes nem ativistas ultrarradicais, são assassinos", tuitou o ministro do Interior.

O "grande debate nacional" lançado pelo presidente Macron para encontrar soluções à crise dos "coletes amarelos" terminou oficialmente nesta sexta-feira (15). Mas as propostas feitas por milhares de franceses desde 15 de janeiro estão sendo processadas e o governo só deverá fazer anúncios oficiais para reduzir as desigualdades nas próximas semanas.

Marcha do Século pelo Clima

Além do 18° ato dos "coletes amarelos", Paris tem outras três manifestações previstas neste sábado.

Em atmosfera bem mais pacífica, 140 ongs promovem a "Marcha do Século pelo Clima", partindo às 12h (8h de Brasília) da praça do Trocadero. Outros 200 eventos para denunciar a inércia dos dirigentes no combate ao aquecimento global estão previstos em todo o país. Os manifestantes cobram do governo respostas à altura dos desafios climáticos e da redução da biodiversidade. Ontem, 160 mil estudantes franceses participaram da greve mundial pelo clima.

A Marcha da Solidariedade, também na capital francesa, denuncia a violência policial e o "racismo de Estado". Por fim, trabalhadores de parques de diversão realizam um protesto por restrições impostas à profissão.

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