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Após emoção com incêndio na Notre-Dame, crise dos coletes amarelos volta a agitar a França

O fechamento da Escola Nacional de Administração, que seria anunciado por Emmanuel Macron para contentar os Coletes amarelos, cria polêmica na França.
O fechamento da Escola Nacional de Administração, que seria anunciado por Emmanuel Macron para contentar os Coletes amarelos, cria polêmica na França. Fotomontagem RFI

Passado o choque do incêndio da catedral de Notre-Dame de Paris, a crise dos coletes amarelos volta a agitar o governo, segundo a imprensa francesa desta quinta-feira (18). O presidente francês pretendia anunciar medidas na última segunda-feira (15) para atender as reivindicações do movimento, mas adiou o anúncio por causa do incêndio. Algumas decisões, entretanto, vazaram na imprensa.

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Na última segunda-feira (15), na hora em que a catedral pegava fogo, o presidente francês Emmanuel Macron deveria fazer um pronunciamento à nação, revelando as medidas decididas pelo governo para pôr fim à contestação dos coletes amarelos. O plano era fruto dos três meses de debates e reuniões sobre as reivindicações do movimento social.

Por causa do incêndio, Emmanuel Macron cancelou o pronunciamento e adiou o anúncio para a próxima semana, mas várias medidas vazaram na imprensa. Decisões como o fechamento da Escola Nacional de Administração (ENA), um estabelecimento de elite que forma o alto escalão do funcionalismo público, a redução do imposto de renda e o não fechamento de escolas e hospitais até o fim do atual mandato, isto é, até 2022, já estão sendo comentadas.

O vazamento das medidas na imprensa quebrou o efeito surpresa e irritou Macron, que pode modificar seu plano. A atitude da imprensa antecipou a polêmica e obriga o presidente francês a rever sua estratégia, anuncia o Le Monde. “Emmanuel Macron quer retomar o controle da situação”, escreve o jornal liberal. “Para não ficar mais acuado, o presidente quer acompanhar ainda por alguns dias a emoção de toda a nação, chocada pela catástrofe nacional que representa o incêndio da Notre-Dame, antes de revelar suas decisões”, detalha o texto. Ele espera, assim, “criar uma expectativa sobre o projeto que ele elaborou para iniciar o segundo ato de seu mandato”, acredita Le Monde.

Escola de Administração no banco dos réus

Le Figaro destaca em sua manchete que a Escola Nacional de Administração está no banco dos réus. O jornal conservador informa que numerosas propostas para acabar com o estabelecimento foram feitas pelos coletes amarelos na plataforma criada para recolher as sugestões da população e superar a crise. “Os franceses adoram detestar suas elites”, diz Le Figaro. 

A reportagem indica que a ENA deve ser suprimida ou completamente modificada. Os alunos e ex-alunos da escola se recusam a ser “o bode expiatório” dessa crise, aponta o jornal, que dá razão a eles. Em seu editorial, Le Figaro ensina “que atacar os efeitos não acaba com as causas do problema”.

Discriminação positiva

Les Echos se pergunta que estrutura poderá substituir a ENA, cuja supressão anunciada provoca reações indignadas e interrogações. Um deputado entrevistado pelo jornal econômico adianta que a ideia do presidente é suprimir várias escolas de elite, para criar uma nova estrutura que poderia se inspirar a Escola de Guerra, com um concurso baseado na discriminação positiva, isto é, uma política de cotas.

“Emmanuel Macron envia uma mensagem de desconfiança a milhares de altos funcionários”, lamenta o presidente dos ex-alunos da ENA, Daniel Keller, nas páginas do Les Echos. “Essa é uma falsa solução para um problema real”, declara Keller. Em sua defesa, a Escola Nacional de Administração informa que 26% de seus alunos são bolsistas. Vários jornais apontam uma certa demagogia do presidente francês, que é ex-aluno da ENA.

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