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Terrorismo/Sahel

Morte de militares para salvar reféns franceses gera debate sobre turismo em zonas perigosas

Os dois reféns Patrick Picque (centro) e Laurent Lassimouillas (à esquerda) são acolhidos pelo presidente Emmanuel Macron (centro de costas) e pelo chefe do Estado-Maior, François Lecointre (à direita).
Os dois reféns Patrick Picque (centro) e Laurent Lassimouillas (à esquerda) são acolhidos pelo presidente Emmanuel Macron (centro de costas) e pelo chefe do Estado-Maior, François Lecointre (à direita). ©FRANCOIS GUILLOT

Dois reféns franceses libertados pelas forças especiais da França na sexta-feira (10), no norte de Burkina Fasso, chegaram à região parisiense neste sábado (11). Eles foram recebidos pelo presidente Emmanuel Macron no aeroporto militar de Villacoublay numa atmosfera pouco calorosa, por causa da morte de dois militares durante a operação de resgate.

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A operação de salvamento, realizada durante a madrugada de quinta para sexta-feira, resultou na morte de dois soldados do esquadrão da elite francesa, Cédric de Pierrepont, 33 anos, e Alain Bertoncello, 28 anos. As circunstâncias estão sendo esclarecidas. Os soldados receberão uma homenagem nacional na semana que vem, no monumento dos Inválidos, presidida por Macron.

Os turistas franceses Laurent Lassimouillas e Patrick Picque foram capturados no dia 1° de maio em uma região perigosa do Benin, por onde circulam grupos terroristas. Eles pretendiam fazer um safári num parque natural que as autoridades do Benin têm procurado promover. Na operação de resgate, uma americana e uma sul-coreana, sequestradas havia 28 dias, também foram libertadas por acaso.

Antes de embarcar para Paris, Lassimouillas falou rapidamente à imprensa. "Nossos sentimentos vão para as famílias desses soldados, que perderam a vida para nos libertar desse inferno", afirmou. O ex-refém reconheceu que atravessa "um momento de ambivalência" em relação a tudo o que viveram. Lassimouillas lamentou a morte do guia turístico e motorista beninense, cujo corpo foi encontrado no dia do sequestro. Ele agradeceu às autoridades da França e de Burkina Fasso por terem trabalhado para retirá-los com vida do cativeiro.

O chefe do estado-Maior francês, general François Lecointre, explicou que as forças especiais decidiram realizar o resgate porque havia risco de transferência dos reféns para o Máli. Os dois soldados mortos entraram na área sem atirar para não atrair a atenção dos vigias, mas quando estavam a 10 metros do objetivo, foram vistos por homens armados que abriram fogo contra eles. Quatro criminosos morreram na troca de tiros.

Ministro pede a turistas que respeitem recomendações

O ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, recomendou aos franceses prudência ao viajar na região sul do Sahel, destacando que grupos jihadistas atuantes na região não têm hesitado em atravessar as fronteiras do Máli, Níger e Burkina Fasso para entrar em países até então considerados relativamente seguros, como era o caso do Benin.

"Deve-se ter muito cuidado nessas regiões para evitar sequestros e sacrifícios de nossos soldados", advertiu o chanceler. A área visitada pelos ex-reféns estava assinalada há algum tempo no site do Ministério das Relações Exteriores francês como uma zona vermelha, isto é, desaconselhada ao turismo. Le Drian exortou os franceses a respeitar integralmente as recomendações apresentadas no site.

Os ataques jihadistas, inicialmente concentrados no norte do Máli, se espalharam para o centro do país, depois se deslocaram para Burkina Fasso e agora ameaçam os países da costa do Golfo da Guiné, até então poupada do terrorismo.

A morte dos militares provoca consternação e polêmica. O prefeito de Toulon, Hubert Falco, do partido de direita Os Republicanos (LR), criticou Macron por ter ido recepcionar os ex-reféns no aeroporto. "Os únicos compatriotas que merecem hoje uma homenagem da nação são os dois soldados mortos em combate, para salvar a vida de turistas inconsequentes", escreveu o político no Twitter.

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