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Um pulo em Paris

“Pedintes de smoking” encarnam o lado B do Festival de Cannes

Áudio 08:46
Cinéfilos de todos os tipos se vestem como se fossem passar pelo tapete vermelho, mesmo sem ingresso para entrar na sala
Cinéfilos de todos os tipos se vestem como se fossem passar pelo tapete vermelho, mesmo sem ingresso para entrar na sala RFI

A 7ª Arte tem encontro marcado nesse momento no Festival de Cinema de Cannes para assistir e premiar alguns dos melhores filmes do ano. O evento é também um momento de glamour, com estrelas, celebridades, fotos no tapete vermelho e festas que podem ser inesquecíveis. Mas para isso, o primeiro passo é ser convidado.

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Enviado especial a Cannes

Quem anda nesse momento pelas ruas da Croisette, a avenida diante da orla de Cannes, com certeza vai notá-los. Com pequenos cartazes nas mãos, eles abordam as pessoas, em francês ou inglês. Alguns se posicionam em locais estratégicos, onde sabem que não poderão passar despercebidos, que vão certamente atrair os olhares e, quiçá, a generosidade de algum afortunado.

No entanto, não estamos falando de moradores de rua ou migrantes que cruzaram mares e desertos em busca de uma vida melhor em terras europeias. Entre 14 e 25 de maio, Cannes recebe um outro tipo de pedintes: os “sem ingresso”.

Ao contrário de festivais como a Mostra de Veneza ou a Berlinale, onde é possível comprar tickets para ver os filmes em competição, em Cannes o acesso é restrito aos convidados. Uma seleção que naturalmente deixa muita gente frustrada, do lado de fora das salas de projeção.

Para contornar essa situação, diariamente centenas de pessoas se posicionam nas esquinas da cidade, nos arredores do Palácio dos Festivais e na saída das sessões. Quase sempre sorrindo, alguns escrevem em seus pequenos cartazes os nomes dos filmes que gostariam de assistir, geralmente escolhidos a dedo entre os 21 que concorrem à Palma de Ouro. Outros tentam uma entrada para ver alguma produção fora da competição, geralmente aquelas com o apelo de uma celebridade– como foi o caso do filme “Rocketman”, sobre a vida do cantor Elton John, exibido na quinta-feira (17).

Cinéfilos de todos os gêneros tentam ingressos na última hora

Os "sem ingresso" não gostam de ser fotografados e evitam os jornalistas. Afinal, em tempos de redes sociais, ninguém quer se expor pedindo convites pela rua.

Mas o ritual acontece durante todo o festival e atrai cinéfilos de diversos tipos, desde estudantes de cinema a turistas, até moradores da cidade e curiosos, que esperam cruzar seus ídolos nos corredores do Palácio dos Festivais. Por essa razão esses "caçadores de convites" preferem as sessões principais dos filmes em competição, quando o elenco também assiste a projeção logo após ter subido as escadarias cobertas pelo famoso tapete vermelho de Cannes. 

Segurando cartazes, estudades de cinemas, turistas e moradores de Cannes procuram ingressos para filmes exibidos no festival
Segurando cartazes, estudades de cinemas, turistas e moradores de Cannes procuram ingressos para filmes exibidos no festival RFI

Mas para entrar nas sessões na gigantesca sala principal junto com seus ídolos, todos devem respeitar o dress code: smoking para os homens e vestido longo para mulheres, de preferência com pedrarias e muito tule. O único problema é que um "caçador de ingressos" nunca sabe se conseguirá um ticket para uma sessão principal ou para uma mostra paralela. E para não correr o risco que ser barrado na porta com o ingresso na mão, os “pedintes” de Cannes já saem de casa preparados para tudo.

Os rapazes passam o dia inteiro de smoking, ou pelo menos de terno preto, com a gravata borboleta no bolso. Já madames e mesdemoiselles levam os sapatos de salto na bolsa e, assim que conseguem um ingresso, se vestem entre barraquinhas de sorvete diante da praia.

Para quem não quiser encarar esse tipo de aventura, restam as sessões do Cinéma de la Plage, com projeções de clássicos de 7ª Arte a céu aberto. Gratuitas e sem dress code, elas evitam o sacrifício de passar um dia inteiro vestida de princesa ou de pinguim com uma plaquinha na mão nas calçadas de Cannes.

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