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Populismo

Imprensa francesa questiona ingerência da Rússia e dos EUA nas eleições europeias

Steve Bannon participou do programa político matinal do canal BFMTV, entrevistado pelo jornalista jean-Jacques Bourdin.
Steve Bannon participou do programa político matinal do canal BFMTV, entrevistado pelo jornalista jean-Jacques Bourdin. Captura de vídeo

As dificuldades enfrentadas pelos partidos populistas na reta final da campanha para as eleições do Parlamento Europeu, de quinta-feira (23) a domingo (27), estão nas manchetes de todos jornais franceses nesta segunda-feira (20). O escândalo que levou à renúncia do vice-chanceler da Áustria, Heinz Christian Strache, do partido de extrema direita FPO e número 2 do governo, lança sérias dúvidas sobre a capacidade dos populistas formarem uma bancada influente na próxima legislatura.

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O vice-chanceler austríaco foi flagrado num vídeo no qual promete contratos públicos à suposta sobrinha de um oligarca russo, em troca de verbas para a campanha eleitoral de seu partido. A ingerência da Rússia, destinada a enfraquecer a União Europeia, ficou escancarada. Na manhã de sábado (18), Strache, de 49 anos, anunciou sua renúncia. Com isso, o encontro convocado pelo vice-primeiro ministro da Itália, Matteo Salvini, no mesmo sábado, em Milão, foi prejudicado.

O jornal Le Figaro afirma que apesar de os populistas terem a intenção de construir uma aliança internacional de nacionalistas europeus, em torno de Salvini e da francesa Marine Le Pen, esse projeto fica comprometido depois da divulgação do vídeo austríaco.

Les Echos destaca em primeira página a ofensiva lançada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para barrar o avanço dos nacionalistas no Parlamento. O partido de Marine Le Pen, Reunião Nacional (RN), é dado como vencedor na França, à frente da legenda do chefe de Estado, A República em Marcha (LREM). No fim de semana, a presença de Steve Bannon em Paris, ex-estrategista de Donald Trump, que afirma estar na cidade para apoiar o partido da candidata de extrema direita, em vez de ajudar, começou a ser questionada.

Em entrevista nesta manhã ao canal BFMTV, Bannon negou que esteja dando consultoria para o partido de Le Pen. Ele declarou estar na capital francesa como "observador". Mas, na semana passada, o canal France 2 já havia exibido uma reportagem em que Bannon apareceu discutindo com o companheiro de Le Pen, Louis Aliot, a quantia de € 2 milhões para as despesas correntes da legenda. As imagens foram filmadas no ano passado.

Na entrevista à BFMTV, Bannon defendeu o projeto de estados-nação proposto pelos populistas e declarou abertamente que a eleição de governos nacionalistas na Europa e no mundo devem facilitar a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos em 2020.

Com a ingerência da Rússia e do americano Bannon ficando mais clara, a imprensa francesa espera que os eleitores percebam que o objetivo dos dois países é de fato enfraquecer a União Europeia, uma das regiões mais ricas do mundo, para retornar à velha dinâmica de duas potências, que todos achavam superada com o fim da Guerra Fria.

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