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“Modo de exercer o governo é inspirado no pior da ditadura”, diz professor brasileiro na França

Áudio 07:05
Afrânio Garcia, professor-adjunto da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS)
Afrânio Garcia, professor-adjunto da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS) RFI

O primeiro movimento social desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro partiu das universidades, que realizaram uma greve e promoveram protestos na semana passada, contra cortes no orçamento da Educação. Mas não é apenas a situação financeira que preocupa: o governo sinaliza que pode intervir na escolha dos novos reitores das universidades federais, o que não ocorreu nem no período mais duro da ditadura militar.

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“O modo de exercer o governo é inspirado claramente nas piores coisas que aconteceram durante a ditadura militar, depois do AI 5. Os anúncios são seguidos de medidas completamente arbitrárias”, afirma o professor-adjunto da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), uma das mais prestigiosas instituições francesas, em Paris.

Em entrevista à RFI, o pesquisador em antropologia social chama a atenção para a publicação de um decreto no qual o presidente instaura a investigação da “vida pregressa” aos candidatos a reitores pelo governo. Garcia alerta para o risco de o governo interferir na escolha, que costuma ser feita por votação, da qual participam docentes, funcionários e estudantes da instituição. A eleição resulta em três nomes, submetidos à Presidência da República, que este seleciona um.

“Agora, fala-se em colocar pessoas de fora da lista, ou seja, interventores”, ressalta o pesquisador.

Ameaça à autonomia das universidades

Ele lembra que, durante a ditadura militar, os universitários brasileiros das mais diversas áreas se uniram contra interferências nas instituições. “Nesse momento, é reafirmada a autonomia universitária, que está sendo ameaçada atualmente. É um absurdo”, insurge-se. “No período mais autoritário do regime, quando houve prisões e espancamentos, também houve a implantação de cursos de pós-graduação que renovaram o panorama de exercício da profissão. É um paradoxo.”

Garcia destaca ainda que a ameaça de cortes de bolsas de estudos terá impactos não só na qualidade da pesquisa realizada no país, como na projeção internacional do Brasil. “Desde os anos 60, um vetor fundamental do dinamismo dos programas de pós-graduação do Brasil e da projeção do Brasil na cena internacional são as bolsas de estudos. Se elas forem atingidas, corremos riscos graves de perder posições conquistadas na competição internacional cientifica”, sublinha.

Para ouvir a entrevista completa, clique na foto ou assista o vídeo abaixo.

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