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Franceses são condenados à morte no Iraque por ligação com Estado Islâmico

Imagem mostra equipe da coalizão internacional dirigida pelos EUA contra o EI na Síria em 2018
Imagem mostra equipe da coalizão internacional dirigida pelos EUA contra o EI na Síria em 2018 Matthew Crane/US Army/REUTERS

Três franceses foram condenados à morte neste domingo (26) no Iraque por pertencerem ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI), informou à AFP o juiz do tribunal de Bagdá, um veredito inédito para cidadãos desse país. Os condenados são Kévin Gonot, Léonardo Lopez e Salim Machou, presos na Síria por uma aliança curdo-árabe anti-EI antes de serem transferidos com outros nove franceses em fevereiro.

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De acordo com a lei iraquiana, que prevê a pena de morte para qualquer um que tenha se juntado a uma organização terrorista, os três homens têm 30 dias para recorrer. Até agora, três franceses já foram condenados por pertencerem ao EI no Iraque: Mélina Boughedir, de 27 anos, Djamila Boutoutaou, 28, e Lahcène Gueboudj, 58. Os três receberam a pena perpétua, o equivalente a 20 anos no Iraque.

O veredito deste domingo pode reavivar o debate sobre a questão do retorno de jihadistas para a Europa, que provoca grande rejeição da opinião pública.   Léonard Lopez, um parisiense de 32 anos convertido ao Islã, respondeu às perguntas do juiz em árabe na audiência deste domingo, depois de quatro meses de interrogatórios.

Contactado pela AFP em Paris, seu advogado, Me Nabil Boudi, denunciou uma "justiça expeditiva". "Um cidadão francês foi condenado à morte com base apenas em uma série de interrogatórios em prisões de Bagdá", disse. "E isso apesar de o ministério francês das Relações Exteriores ter nos garantido que os franceses teriam direito a um julgamento justo, mesmo no Iraque", afirmou, enquanto defensores dos direitos humanos denunciaram o "risco real de tortura" e "nenhuma garantia de julgamentos justos".

Léonard Lopez era, no início dos anos 2000, um dos membros mais ativos no site jihadista francês Ansar Al-Haqq. Em julho de 2015, sob controle judicial por sua atividade neste site, partiu com sua esposa e seus dois filhos, primeiro para Mossul e depois para a Síria.

Ele co-fundou a associação Sanabil, dissolvida pelo governo francês no final de 2016 por contribuir, sob o pretexto de ajudar detentos, na radicalização de prisioneiros. Todos aqueles envolvidos, direta ou indiretamente, nos atentados cometidos na França desde janeiro de 2015, estiveram direta ou indiretamente ligados ao Sanabil.

Arrependimento

Kévin Gonot, 32 anos, nascido em Figeac, no sudoeste da França, disse neste domingo ao juiz que "se arrepende" de ter ingressado no EI. Ele foi preso na Síria com seu meio-irmão, Thomas Collange, 31, sua mãe e sua esposa, além da sobrinha dos irmãos Fabien e Jean-Michel Clain, que reivindicaram os ataques de novembro de 2015 em Paris que deixaram 130 mortos.

Machou Salim, de 41 anos, pertenceu à brigada Tariq ibn Ziyad, uma unidade do EI liderada por um ex-legionário francês, Abdelilah Himich. Esta "célula de combatentes europeus" chegou a contar com "300 membros", segundo as autoridades americanas.

Salim Machou abrigou em Raqa o francês Jonathan Geffroy, capturado na Síria e entregue à justiça francesa, que fez muitas revelações.  Outros nove franceses ainda serão julgados no Iraque: Fodil Tahar Aouidat, Mustapha Merzoughi, Yassine Sakkam, Karam El Harchaoui, Vianney Ouraghi, Brahim Nejara, Bilel Kabaoui, Mohammed Berriri e Mourad Delhomme.

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