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"A ecologia é o futuro da esquerda na França", diz imprensa após eleições europeias

Na resenha da imprensa francesa desta segunda-feira o avanço surpresa dos ecologistas nas eleições para o Parlamento europeu e o recuo dos partidos tradicionais.
Na resenha da imprensa francesa desta segunda-feira o avanço surpresa dos ecologistas nas eleições para o Parlamento europeu e o recuo dos partidos tradicionais. Fotomontagem RFI

O resultado das eleições europeias ocupa as capas e os editoriais de todos os jornais franceses desta segunda-feira (27). Além do duelo entre os partidos de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, que venceu com 23,3% dos votos, e o centrista A República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, que ficou em segundo, com 22,4%, a imprensa destaca o avanço dos ecologistas na França.

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Yannick Jadot surpreendeu! diz Le Figaro. O candidato que liderava a lista do Europa Ecologia-Partido Verde (EELV) obteve 13,4% dos votos, ficando em 3° lugar. Um resultado sonhado, que nenhum instituto de pesquisa do país tinha previsto.

O partido ultrapassou com folga todos as outras siglas da esquerda e “tem agora as cartas nas mãos”, aponta o jornal conservador. "Somos nesta noite a terceira força política da França", festejou Yannick Jadot nas páginas do jornal. O líder ecologista também comemorou a onda verde que atingiu toda a Europa e a forte participação dos jovens nesta eleição.

Ecologistas na liderança da esquerda?

Les Echos avalia que os Ecologistas podem reivindicar a liderança da esquerda no país, uma posição que o líder da esquerda radical, Jean Luc Mélenchon, queria ocupar. Mas Mélenchon está em grandes dificuldades depois do resultado decepcionante de seu partido A França Insubmissa, nas eleições deste domingo (27). A legenda obteve apenas 6,3% dos votos e o 5° lugar, empatado com o Partido Socialista.

O "Big Bang continua", escreve Aujourd'hui en France: “o naufrágio do partido conservador Os Republicanos, o avanço dos ecologistas e o duelo Macron x Le Pen confirmam a explosão do cenário político francês”. Como os outros jornais, Aujourd'hui en France analisa que apesar de ter ficado em segundo lugar, o resultado não é uma derrota para o partido do presidente Emmanuel Macron que conseguiu resistir e evitar um desastre maior.

Quanto ao partido verde, o diário relata que os ecologistas comemoraram ontem, cheios de esperança, o 3° lugar. “A ecologia é o futuro da esquerda!”, diz o secretário nacional do partido, David Corman.

Coalizão difícil

A mesma frase é destacada pelo Le Monde. O vespertino adianta que o EELV quer assumir a liderança da esquerda, sem se perder em uma aliança de circunstância. Sem sombra de dúvidas, a ecologia política se transformou em uma das principais forças da França. Somando-se o resultado de todos os candidatos que colocaram a defesa do meio ambiente no centro de suas campanhas, se chega a 31,2% dos eleitores ressalta Le Monde.

No entanto, apesar desse denominador comum, as chances de se ver uma coalizão entre Europa Ecologia, Partido socialista, França Insubmissa, Geração (s), do ex-candidato à presidencial Benoît Hamon, et Urgência Ecologia, são inexistentes. As diferenças entre eles são enormes, afirma Le Monde.

Verde, como a esperança

Essa onda verde não é uma exceção francesa. Todos jornais informam o avanço dos partidos Verde em toda a Europa, e principalmente na Alemanha, onde os ecologistas terminaram em segundo lugar, com 22% dos votos, o dobro do realizado nas últimas eleições europeias de 2014, detalha Libération.

“Uma cor verde como a esperança é o resultado mais claro e mais tranquilizador” dessas eleições, escreve o jornal progressista em seu editorial. Além disso, com o aumento da participação em todo o continente, que contrariou todos os prognósticos, “não poderemos mais dizer que a Europa não interessa”. Chega um momento na democracia em que a realidade é mais forte do que as lógicas eleitorais e “a urgência desse momento, é a ameaça que pesa contra o planeta. Para ter certeza de serem ouvidos, os eleitores votaram verde nessas eleições”, analisa Libération.

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