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França

França bate recorde de produção de alimentos orgânicos

A explicação para o preço mais alto dos produtos orgânicos em relação aos convencionais pode se justificar pelo seu modo de produção que demanda mais tempo, sua maior mão de obra, e pelo respeito do meio ambiente e do bem-estar animal
A explicação para o preço mais alto dos produtos orgânicos em relação aos convencionais pode se justificar pelo seu modo de produção que demanda mais tempo, sua maior mão de obra, e pelo respeito do meio ambiente e do bem-estar animal MYCHELE DANIAU / AFP

A agricultura orgânica registrou um crescimento histórico na França em 2018, com 2 milhões de hectares plantados, o equivalente a 7,5% da área agrícola útil do país. Esse aumento permite conter as importações de produtos orgânicos para atender ao crescente apetite dos consumidores. No total, 9,5% dos agricultores franceses se converteram à cultura  biodinâmica, sem agrotóxicos, oferecendo 14% dos empregos do setor.

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Para Florent Guhl, diretor da Agência Bio, organismo público que monitora a evolução do setor na França, o aumento da produção de orgânicos no ano passado representa um marco. “Estamos na boa direção para alcançar a meta de 15% de superfície orgânica cultivável em 2022”, declarou. Houve um progresso notável nas culturas de cereais, oleaginosas e leguminosas, destaca o relatório divulgado pela agência nesta terça-feira (4). Comparado ao ano de 2017, o salto das terras agrícolas orgânicas foi de 31%.

"Em 2013, apenas 1% das culturas de campo na França eram orgânicas, hoje estamos em 4,3%", comemorou Guhl. Este aumento deve-se em particular ao aumento significativo nas capacidades de processamento e armazenamento, à abertura de silos e moinhos dedicados ao trigo orgânico, como o da cooperativa Valfrance, perto de Melun (a 58 km de Paris) ou do grupo Soufflet em Lozanne, no departamento do Rhône (sudeste).

Para chegar a 15% da superfície agrícola utilizável em 2022, a agência estima que 8% das grandes culturas de campo terão que ser orgânicas. No caso dos legumes secos, 40% das plantações já se converteram.

Vinícola em Bordeaux com produção de vinhos orgânicos.
Vinícola em Bordeaux com produção de vinhos orgânicos. AFP PHOTO PIERRE ANDRIEU

Produção orgânica ganha os vinhedos

Na viticultura, a evolução para um produto sem agrotóxicos também foi expressiva: 20% a mais em um ano, o que correspondia a 12% dos vinhedos do país no fim de 2018. Para estimular os produtores a continuar nesse caminho, criou-se o selo CAB (conversão em agricultura biodinâmica), uma etiqueta branca sobre fundo azul. Essa etiqueta ajuda os enólogos a explicar aos consumidores que o vinho orgânico custa mais caro durante o tempo de transição entre as duas formas diferentes de cultura, uma adaptação que requer pelo menos três anos. “A recepção positiva do mercado deve fazer com que 14.000 novos hectares de videiras estejam em conversão orgânica no ano que vem", disse Guhl.

"Grande impacto nas regiões"

O diretor da Agência Bio também destaca o "grande sucesso" das frutas e hortaliças orgânicas, cuja produção foi estimulada por uma nova legislação, a lei Egalim, que estabeleceu o objetivo de chegar a 20% de produtos orgânicos nas cantinas escolares e restaurantes de empresas até 2022. O incentivo fez com que 40% das ameixas e pêssegos destinados a produtos processados venham, atualmente, da agricultura orgânica. Na criação de aves poedeiras, a produção de ovos “bio”, como dizem os franceses, aumentou em 31%, mas representa apenas 13% do total.

Maçãs organicas da cooperativa de frutas Limdor em Saint-Yrieix-la-Perche, no centro-oeste da França, em 21 de dezembro de 2018.
Maçãs organicas da cooperativa de frutas Limdor em Saint-Yrieix-la-Perche, no centro-oeste da França, em 21 de dezembro de 2018. Thomas SAMSON / AFP

O setor discute atualmente se deve ou não aquecer estufas para expandir o período de produção de frutas e legumes orgânicos. Os agricultores que abandonaram os agrotóxicos há muito tempo temem que a demanda por orgânicos cresça muito rápido e provoque um aumento das importações de ou leve à industrialização da produção francesa, o que eles também não consideram desejável.

A agência francesa de fato nota que o aumento do consumo de produtos orgânicos se deve à adesão dos supermercados, que passaram a oferecer essa alternativa às famílias. As redes varejistas passaram a vender a metade da produção orgânica nacional, ultrapassando as lojas especializadas. A venda direta representa apenas 12% do mercado.

Assim como em 2017, 69% dos alimentos orgânicos consumidos na França foram produzidos no país. O organismo também destaca o "grande impacto nas regiões" do desenvolvimento desse tipo de cultura do futuro e o "forte dinamismo" do setor. As quatro regiões que mais se destacam são Occitanie (9.403 fazendas), Nouvelle Aquitaine (6.157), Auvergne-Rhône-Alpes (5.858) e Pays de Loire (3.270). Mas é a ensolarada região Provence-Alpes Côte d'Azur que dedica a maior parte de suas superfícies agrícolas a alimentos orgânicos (25%).

Com informações da AFP

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