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França/futebol

Mídia ajuda a legitimar futebol feminino, diz autora de documentário sobre boleiras no mundo

A capa do livro "Little Miss Soccer", das jogadoras Candice Prévost e Mélina Boetti
A capa do livro "Little Miss Soccer", das jogadoras Candice Prévost e Mélina Boetti ©Éditions Marie B

Candice Prévost, ex-craque do PSG e da seleção francesa, e Mélina Boetti, jornalista e também jogadora (ex-Celtic, Marseille, Juvisy) deram a volta ao mundo para se encontrar com jovens, inclusive brasileiras, que praticam o futebol. O resultado deste projeto, batizado de “Little Miss Soccer – a volta ao mundo das mulheres que fazem o futebol” é uma série de perfis, que se transformaram em livro, documentário e série.

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Théo Conscience, jornalista da RFI

A dupla francesa embarcou em agosto de 2017 para uma viagem que as levou para cinco continentes e dez países. Os encontros com as jovens jogadoras se transformaram em vários perfis, reunidos em um diário de bordo que acaba de chegar às livrarias, poucos dias antes da abertura da Copa do Mundo de Futebol Feminino. O evento começa nesta sexta-feira (7) na França e tem suscitado o debate sobre a desigualdade de gênero no esporte. O canal francês Planète Plus, do grupo Canal Plus, também exibe nesta quinta-feira (6) um documentário sobre o périplo das duas ex-jogadoras.

No Brasil, as francesas entrevistaram meninas da favela do Vidigal, no Rio. “Para encontrar jogadoras na cidade maravilhosa, não é preciso ir muito longe: basta calçar suas havaianas e ir até a praia de Copacabana e Ipanema. Muitas delas jogam bola com facilidade, apenas por prazer, com ou sem rede, já que o futvôlei de transformou em uma prática oficial”, descreve Mélina no site do projeto.

O repórter da redação francesa da RFI, Théo Conscience, entrevistou Candice e Mélina.

RFI – Lendo o livro constatamos que o futebol pode ser um vetor de emancipação para as mulheres. Você lembra da época em que era tratada como um “garçon manqué ? (expressão francesa para identificar menina que age como menino, em tradução livre).

Candice Prévost: quando eu era mais nova (Candice vai completar 35 anos em junho) jogava futebol no pátio da escola, não em um clube, e apenas com garotos. Um dia, um deles decidiu pegar no meu pé, dizendo que eu era como um menino. Não era necessariamente um insulto, porque um menino tem direito de jogar futebol. Meu pai então me sugeriu uma resposta que achei bem simpática: “uma menina que age como um menino é uma garota que deu certo”. Foi uma tentativa de me reconciliar com essa ideia.

RFI – Mélina Boetti, essa volta ao mundo levou vocês a Gana, para a Copa do Mundo da África. O que mais marcou você nessa competição?

Mélina Boetti: Havia uma alma e uma efervescência nacionais tão grandes que tínhamos a impressão de que os estádios estavam lotados, mesmo quando não era o caso. O futebol na África é vivido com muita intensidade. Tivemos a oportunidade de nos encontrarmos com alguns torcedores que tinham estilo, falavam abertamente e isso acontecia independentemente de o jogo ser entre homens ou mulheres. O torcedor africano está lá para defender sua bandeira, suas cores, e não interessa quem sejam os atores ou atrizes da disputa. É o país que está em jogo e sentimos isso de maneira muito forte. É essa característica que legitima as jogadoras.

RFI - Vocês também viajaram para a América do Sul e a Ásia, mas, no livro, não citam a França. O que o futebol faz pelas mulheres no país, e o que as mulheres fazem pelo futebol na França?

CP: As mulheres fazem muito pelo futebol na França. Elas começam aos poucos a ocupar mais espaço e, por consequência, mais espaço também na mídia, não somente em termos físicos e no campo. O espaço midiático permite consolidar a legitimidade das mulheres no futebol. O simples fato, para uma menina, de entrar em campo, conquistar esse espaço e se dar ao direito de marcar um gol já é uma luta por si só. Já estamos nos engajando, sem falar de militantismo ou feminismo. O fato simplesmente de estar em campo. Esse esporte pertence, a tal ponto, ao universo masculino, que jogar já é uma reivindicação. Mas a situação está evoluindo. O que costumamos dizer é que estamos cansadas de respostas limitadas ao problema e de ouvir que isso levará tempo, que com o tempo as coisas vão mudar. Não. Chega uma hora em que é necessário agir, tomar medidas. Os homens têm esse privilégio há muito tempo, agora é hora das mulheres reivindicá-lo.

RFI – Para teminar, podemos fazer um prognóstico da Copa do Mundo, que começa nesta sexta-feira (7)? Favoritas, um time que pode surpreender, a trajetória da seleção francesa?

CP: Ainda não analisei as chaves e os cruzamentos possíveis, mas como favoritas eu apontaria o Japão, os Estados Unidos, a França e a Inglaterra.

MB: Temos que guardar o troféu em casa!

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