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Imprensa

Maconha medicinal: França pode começar testes em 2020

Relatório francês traz diretivas sobre uso de maconha medicinal.
Relatório francês traz diretivas sobre uso de maconha medicinal. REUTERS/Amir Cohen

A imprensa francesa desta quinta-feira (20) repercute relatório a respeito do uso da maconha medicinal no país. O estudo determina que o produto poderá ser recomendado apenas por médicos especializados, para fins determinados.

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Caso o ministério da Saúde adote as indicações, o produto poderá ser obtido sob diferentes formas, com rígido controle, informa o jornal Libération.

“Não, os médicos não vão se transformar em traficantes. Não, os ambulatórios não vão ficar enfumaçados”, assegura o editorial de Libération, explicando que as regras em relação à cannabis serão draconianas. “Nada de fumaça ou baseados – o produto será oferecido em forma de comprimido ou sprays, administrados dentro de um quadro bastante regulamentado a pacientes selecionados pelo nível de sofrimento que outros medicamentos não conseguem apaziguar”, continua o editoral de Libération.

Dores resistentes

O jornal Le Figaro lembra que a prática já é adotada em outros países, como Canadá, Holanda e Israel. O Comitê Científico Especializado Temporário (CSSTC, na sigla em francês), prevê a administração de maconha medicinal a dores neuropáticas refratárias a terapias (medicamentosas ou não), formas severas de epilepsia resistente a medicamentos, apoio no tratamento do câncer, assistência paliativa, dores provocadas por esclerose em placas ou outras patologias do sistema nervoso central.

O relatório, explica Libération, foi elaborado após três meses de deliberações pela Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM), de intercâmbios com coletivos de pacientes e sociedades médicas. Entre 300 mil e um milhão de pacientes podem estar aptos a participar da experiência.

Medida anima investidores

O projeto anima também agricultores da região da Creuse, no centro da França. Investidores estrangeiros já começam a visitar a área, curiosos com as perspectivas da cultura, revela uma reportagem do Libération. Mas por enquanto, lembra o jornal Aujourd’hui em France, o produto será importado. “A França ainda não está preparada, nada foi implantado nesse sentido”, diz uma especialista da agência francesa. O jornal relata também que ainda não se sabe se é o Estado quem vai tratar da importação ou se essa será feita por empresas.
Segundo Le Figaro, o experimento, com duração de dois anos, tem como objetivo verificar a pertinência do protocolo.

Libération entrevistou três pessoas que poderão potencialmente se beneficiar da medida. Uma mulher de 65 anos, portadora de malformação na espinha dorsal, um homem soropositivo há 35 anos, e um jovem de 27 anos que sofre de esclerose em placas desde os 18. Os três já utilizam a maconha para combater fortes dores. Eles relatam o alívio produzido pela droga e os problemas atuais para a obtenção da maconha, inclusive com intervenções policiais.

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