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Moda

Com exposição inusitada, museu parisiense questiona importância das costas na moda

A diálogo entre as roupas e as estátuas faz parte do charme da exposição. 
A diálogo entre as roupas e as estátuas faz parte do charme da exposição.  RFI/Silvano Mendes

O museu Bourdelle acaba de inaugurar a exposição Back Side/Dos à la mode (As costas na moda). Organizada em parceria com o museu Galliera, a mostra parisiense convida o público a analisar e refletir sobre a moda a partir de um ponto de vista inusitado, bem distante das imagens frontais veiculadas na internet.

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Nossas costas são a única parte do corpo que não podemos tocar ou ver totalmente. No entanto, todos já admiramos, discretamente, um detalhe nas costas de alguém. Seja um recorte da roupa que mostra um pedaço escondido da pele, um decote que realça a silhueta ou até uma corcunda desgraciosa. 

Foi justamente esse o prisma escolhido pelos organizadores da exposição que fica em cartaz em Paris até 17 de novembro. Graças a 140 looks e acessórios, do século 18 até os dias de hoje, além de fotos e vídeos, os curadores nos fazem refletir sobre a dimensão simbólica das costas – as das roupas, mas também do ser humano.

As peças são apresentadas nas diferentes salas do museu, que tradicionalmente expõe as obras do escultor Antoine Bourdelle. A diálogo entre as roupas e as estátuas já é uma das atrações da exposição.

Mas o percurso também explora o fato de que, em uma sociedade ocidental regida pela obsessão do selfie, tem se prestado cada vez menos atenção nas costas das roupas. Além disso, as fotos dos desfiles de moda contemporâneo são feitas principalmente de frente, para facilitar a difusão das imagens pela internet. “Desenvolver a parte de trás dos modelos já é visto por alguns estilistas como uma perda de tempo e um gasto inútil”, comenta Alexandre Samson, curador da exposição. Ele se questiona, inclusive, sobre o impacto que esse fenômeno pode ter no futuro da moda.

As costas como vetor de mensagem

Eróticas para alguns, contestadoras para outros, as costas são apresentadas na mostra como um vetor de mensagens. Da calda de um vestido de baile às camisas de futebol, passando pelos uniformes de polícia ou ainda as camisas de força, os exemplos expostos nos fazem constatar que essa parte do corpo é mais importante do que imaginamos.

O estilista Martin Margiela chegou a transformá-la em uma marca registrada, substituindo as etiquetas visíveis de suas roupas por quatro pontos de costura, brancos, no alto das costas. Um código identificável entre os amantes de moda, mas dificilmente compreendido entre os que gostam das logomarcas chamativas.

A exposição do museu Bourdelle traz até o casaco militar de Melania Trump, que fez escândalo no ano passado por causa da frase “I really don’t care, do you ?” (Não estou nem ligando, e você? em tradução livre em português), escrita nas costas. Usada durante a visita a um centro de acolhimento de crianças refugiadas na fronteira com o México, a jaqueta foi alvo de inúmeras interpretações. Alguns diziam que tratava-se de um recado para o marido, o presidente americano Donald Trump, outros apostavam que era uma alfinetada na imprensa, enquanto os mais cínicos alegavam que a mensagem estaria ligada à situação dos migrantes. Independentemente do motivo que levou a primeira-dama dos Estados Unidos a escolher a peça, raramente as costas de uma roupa contemporâneia ficaram famosas em tão pouco tempo.

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