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Enriquecimento de urânio no Irã supera limite de 4,5% e país adverte Europa

Behrouz Kamalvandi, responsável da Organização iraniana de Energia Atômica (OIEA), em entrevista coletiva,  em 7 de julho de 2019.
Behrouz Kamalvandi, responsável da Organização iraniana de Energia Atômica (OIEA), em entrevista coletiva, em 7 de julho de 2019. Tasnim News Agency/Handout via REUTERS / Hamed Malekpour

O Irã advertiu nesta segunda-feira (8) a Europa a não contribuir para uma escalada de tensão como resposta à decisão do país de enriquecer urânio a um nível acima do permitido no acordo sobre o seu programa nuclear.

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Teerã anunciou produzir urânio enriquecido a pelo menos 4,5% além do limite permitido pelo pacto de 2015 sobre o seu programa nuclear, advertindo os europeus contra qualquer provável reação capaz de agravar a situação.

Preocupada, a União Europeia exigiu que o Irã pare as atividades que são contrárias aos compromissos assumidos no âmbito do acordo de Viena e que o país retome a sua produção dentro dos termos desse pacto.

Citado pela agência de notícias semioficial Isna, o porta-voz da Organização iraniana de Energia Atômica (OIEA), Behrouz Kamalvandi, informou, mais cedo, que a "pureza" do urânio enriquecido produzido pelo país teria alcançado "4,5%". "Estamos verificando este novo fato", disse um porta-voz da agência, no final da tarde.

No domingo, Teerã havia anunciado o início do enriquecimento de urânio a um grau maior do que o limite de 3,67%, imposto pelo Acordo de Viena.

De acordo com Ali Akbar Velayati, assessor do líder supremo do Irã, o país precisa para suas "atividades nucleares", ou seja, o fornecimento de combustível de sua única central elétrica nuclear, de urânio enriquecido a 5%.

Esse nível permanece longe dos 90% necessários para considerar a fabricação de uma bomba atômica. Porém, a decisão do Irã enfraquece ainda mais o acordo de Viena, já prejudicado desde que os Estados Unidos saíram unilateralmente do pacto, em maio de 2018, antes de restabelecerem sanções econômicas contra Teerã.

Em resposta aos EUA, o Irã anunciou, em 8 de maio, que começaria a desconsiderar certos compromissos assumidos em Viena, a fim de forçar as outras partes do tratado (Alemanha, China, França, Grã-Bretanha e Rússia) a pressionarem para contornar as sanções americanas.

Preocupação mundial

Nessa segunda-feira (8), o porta-voz de Relações Exteriores iraniano, Abbas Mousavi, enviou uma advertência a Paris, Londres e Berlim. Segundo o comunicado, caso essas três capitais "se comportassem de forma estranha e inesperada”, o país ignoraria todas as etapas seguintes do plano de redução de enriquecimento de urânio e executaria a última, sem especificar, no entanto, a natureza desse último passo.

Em anúncios separados, Londres e Berlim já haviam pedido, no domingo, que Teerã reconsiderasse seus planos. Paris também expressou "profunda preocupação", pedindo ao Irã que cessasse toda a atividade "em desacordo" com o pacto de Viena.

Prazo de 60 dias

Teerã deu prazo de 60 dias para os parceiros do acordo de Viena atenderem às suas exigências, sob risco de o país não cumprir outros compromissos assumidos. Após esse período, "todas as opções" estariam na mesa, segundo as palavras de Abbas Mousavi, incluindo a retirada do acordo de Viena e do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

Ainda de acordo com Mousavi, Emmanuel Bonne, conselheiro diplomático do presidente francês Emmanuel Macron, que visitou o Irã em junho, é novamente esperado em Teerã, nos próximos dias.

A Rússia, aliada da República Islâmica, pediu a Teerã "não ceder à emoção" e respeitar "disposições essenciais" do acordo nuclear, apesar da pressão dos EUA.

Em Pequim, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que "a pressão máxima dos Estados Unidos sobre o Irã é a origem da crise nuclear iraniana".

 

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