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França/protesto

Protesto contra Bolsonaro e pela Amazônia reúne centenas em frente à embaixada brasileira em Paris

Protesto contra Bolsonaro e pela Amazônia em frente da Embaixada do Brasil
Protesto contra Bolsonaro e pela Amazônia em frente da Embaixada do Brasil T. Stivanin/RFI Brasil

Ação organizada nesta sexta-feira (23) pela ONG Youth Climate em frente à embaixada brasileira da capital francesa, no 8° distrito de Paris, foi marcada por forte esquema de segurança e atos simbólicos

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Ecologistas com seios à mostra, ONGs de defesa dos Direitos dos animais, cartazes pedindo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da silva seja solto e Jair Bolsonaro deixe o poder, ou simplesmente cidadãos franceses que simpatizam com o Brasil. Diferentes motivações e reividicações ecoaram no protesto organizado no Facebook pelos estudantes das ONGs Youth Climate e Friday for Future na França, pela defesa da Amazônia, onde 72.843 focos de incêndio foram detectados desde o início do ano segundo o INPE (Agência Espacial Brasileira).

Cerca de 300 pessoas participaram do protesto, segundo a polícia francesa. A embaixada solicitou ao Ministério das Relações Exteriores da França um reforço da segurança, como é de praxe nas manifestações. O contigente impressionava em relação ao número de manifestantes: pelo menos 40 policiais da tropa de choque, conhecida como CRS, e uma dezena de veículos, protegiam a entrada do prédio da embaixada. A mobilização foi autorizada pela Secretaria de Segurança Pública de Paris.

Indignação mundial

A ação foi mais uma resposta às declarações do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que insinuou que as organizações não-governamentais poderiam estar por trás das queimadas que devastam o pulmão verde do mundo, provocando indignação internacional. Outros atos ocorreram simultaneamente na França e diversos países. No Brasil, segundo Daniela Borges, da organização Greve pelo Clima, pelo menos 50 protestos devem ocorrer nesta sexta-feira.

Protesto em frente da Embaixada do Brasil
Protesto em frente da Embaixada do Brasil T. Stivanin

“Há uma urgência real e por isso mobilizamos os militantes pelas redes sociais. Vários eventos acontecem ao mesmo tempo”, disse um dos porta-vozes da Youth Climate na França, Vipulan Puvaneswaran, 16 anos. “A curto prazo é preciso apagar os incêndios e a longo prazo é necessários mudar as políticas ambientais. Não há uma verdadeira política ambiental”, declara. “Hoje vemos que a juventude se sente mais afetada por essa questão. Nosso futuro está em perigo então é normal que a gente se interesse por essa temática”, explicou. “Bolsonaro comunica mal. Ele tem uma política terrível de desmatamento”, resumiu, ao ser questionado sobre a fala do presidente.

A fala do chefe de Estado brasileiro contra as ONGs e a extensão das queimadas - (2.500 novos focos de incêndio foram detectados em 48 horas - desencadeou diversas reações. Nesta quinta-feira (22), o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu aos membros do G7, reunidos neste sábado (24) em Biarritz, no sul da França, que abordem a questão na reunião de cúpula.

A estudante brasileira Alila Antonielli
A estudante brasileira Alila Antonielli T. Stivanin/RFI Brasil

"Bolsonaro tem todo um discurso contra o Macron e usa como argumento a soberania nacional e o fato que o Brasil deve cuidar de seu próprio território. Mas o problema é que a urgência climática e o aquecimento global não conhece fronteiras, não sabe o que é soberania nacional”, disse a estudante brasileira Alila Antonielli. Para ela a reação do presidente francês foi “mal colocada”, porque só reforça o discurso “de que os europeus estão querendo tomar conta da Amazônia.”

A amazonense Cacao Sitruk, que lamenta que a Amazônia seja destruída por questões políticas
A amazonense Cacao Sitruk, que lamenta que a Amazônia seja destruída por questões políticas T. Stivanin/RFI Brasil

A amazonense Cacao Sitruk, que vive em Paris há nove anos, também estava presente no protesto. Para ela, a situação em seu Estado é um drama que a atinge pessoalmente. Toda sua família mora na região. Ela viveu até os 15 anos às margens do rio Javarizinho, nos confins da Amazônia. “Ver meu povo e a floresta pegando fogo dói meu coração. Dói ainda mais ver que as pessoas não estão unidas, sendo que teriam que se unir para preservar. Tudo isso por conta de política”, lamenta.

O francês François, aposentado, que veio prestar seu apoio ao Brasil
O francês François, aposentado, que veio prestar seu apoio ao Brasil T. Stivanin/RFI Brasil

“Triste com essa catástrofe”

O aposentado francês François Libou adora o Brasil e veio dar seu apoio aos movimentos que lutam pela preservação da floresta. “Adoro o Brasil e estou muito triste com essa catástrofe. Infelizmente a população votou no Bolsonaro, mas mesmo essas pessoas agora acham que ele não é o homem ideal para administrar essa situação. Espero que ele não continue no poder, mas agora, neste momento, é preciso fazer algo urgente pela Amazônia”, resume.

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