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Anticoncepcionais masculinos existem, mas ainda são impopulares entre homens

Dia Mundial da Contracepção. O jornal Libération publica uma reportagem sobre os anticoncepcionais masculinos, ainda pouco utilizados.
Dia Mundial da Contracepção. O jornal Libération publica uma reportagem sobre os anticoncepcionais masculinos, ainda pouco utilizados. Fotomontagem RFI/ images: Liberation.fr

No Dia Mundial da Contracepção, o jornal Libération publica uma reportagem sobre os anticoncepcionais masculinos. Segundo o diário, esses métodos existentes, mas desconhecidos, são destinados aos homens que começam a aceitar a ideia de que podem compartilhar essa carga física e mental com as mulheres.

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Pílula, DIU, adesivos... enquanto diversos anticoncepcionais femininos estão disponíveis no mercado, os homens que querem controlar sua fertilidade têm uma escolha bem mais limitada: a maior parte se contenta com o uso da camisinha. Entretanto, o jornal Libération desta quinta-feira (26) lembra que outros métodos de contracepção masculina existem.

Na França, poucos homens recorrem a eles. Tampouco os franceses optam pela vasectomia, que é popular nos países anglo-saxões, mas ainda rara por aqui.

Outros métodos, como a pílula anticoncepcional masculina, são desenvolvidos há mais de 40 anos. Mas os laboratórios farmacêuticos são céticos quanto à possibilidade de que os homens suportem todos os efeitos colaterais que as mulheres enfrentam ao ingerir esses hormônios, afirma o jornal Libération.

Enquanto isso, projetos alternativos e experimentais são desenvolvidos. É o caso dos shorts térmicos, uma ideia colocada em prática por um francês, Erwan Taverne, fundador do Grupo de Ação e Pesquisa sobre a Contracepção. Ele fabrica peças íntimas masculinas programadas para aumentar a temperatura dos testículos, impedindo desta forma a produção de espermatozóides.

Convencer os homens

A principal dificuldade, segundo Libération, é convencer os homens a adotar essas práticas, que sempre foram incutidas às mulheres. Segundo o jornal, na França, especificamente, a questão do controle de nascimentos nunca esteve presente nas políticas públicas de saúde masculina.

Entrevistada pelo diário, a conselheira de planificação familiar Marie Mazaudou, autora de uma pesquisa sobre a resistência dos homens em adotar métodos contraceptivos, explica que os franceses têm medo de afetar sua fecundidade, além do apego à ideia da sacralização do corpo masculino.

"Escuto frequentemente reações do tipo 'não quero que interfiram na minha intimidade' ou 'tenho medo que isso afete minha libido'", afirma em entrevista ao Libé Maxime Labrit, enfermeiro, criador de um anel íntimo de contracepção para os homens.

Mas a sociedade está evoluindo e essa situação pode mudar, avalia Libération. O jornal ressalta em que, em janeiro, a Sociedade de Andrologia da França promoveu um seminário sobre a questão. Como inspiração, os militantes desta causa apresentam o Reino Unido, onde os médicos generalistas são formados para divulgar a ideia da vasectomia, ou a província do Québec, no Canadá, onde a contracepção é encarada como um questão do casal.

"Para os militantes, tirar o peso do gênero dos métodos anticoncepcionais pode contribuir para o equílibrio da relação e a promoção da paridade entre homens e mulheres", conclui o jornal.

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