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França/Brasail

Ricardo Salles evita imprensa brasileira e fala apenas com jornalistas franceses em Paris

O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em Paris nesta quinta-feira, 26 de setembro de 2019.
O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em Paris nesta quinta-feira, 26 de setembro de 2019. BERTRAND GUAY / AFP

A entrevista coletiva do ministro brasileiro do Meio Ambiente Ricardo Salles em Paris estava marcada para o final da tarde desta sexta-feira (27) na embaixada do Brasil. Sem nenhuma explicação, Salles não apareceu e enviou em seu lugar o embaixador Carlos Márcio Cozendey, delegado do Brasil junto a Organizações Internacionais Econômicas em Paris. Salles iniciou na capital francesa um giro pela Europa visando melhorar a imagem internacional do país, arranhada pelos incêndios e desmatamento acelerado na Amazônia.

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O bolo de Ricardo Salles deixou perplexo até os assessores da embaixada brasileira, que garantiram não terem sido prevenidos. O assessor de imprensa do ministro, que também não apareceu, não respondeu às mensagens e telefonemas dos jornalistas presentes pedindo esclarecimentos.

Carlos Cozendey também não soube explicar por que Ricardo Salles resolveu não falar com a imprensa e tampouco onde ele estava. Disse apenas que o ministro lhe pediu para substituí-lo e detalhar sua participação em uma reunião nesta sexta-feira (27), na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Ricardo Salles chegou a Paris na quinta-feira (25) vindo diretamente de Nova York, onde ocorreu a Cúpula do Clima da ONU. A capital francesa foi a primeira etapa de um giro europeu com o objetivo de “esclarecer a política ambiental brasileira”. Ele se encontrou com dirigentes de grandes empresas francesas, entre elas a petrolífera Total e companhias de energia EDF e Engie.

A reunião aconteceu na residência do embaixador brasileiro em Paris. No mesmo momento, do lado de fora, ativistas do Greenpeace protestaram contra a política ambiental do governo Bolsonaro e, segundo comunicado da ONG, contra a cumplicidade da “França e de empresas como a Total, que desenvolvem projetos destrutivos no Brasil".

OCDE

O embaixador Carlos Cozendey disse que o ministro apresentou na OCDE a política ambiental brasileira como parte do processo de adesão do Brasil à organização, sediada em Paris. A apresentação estava prevista há vários meses e ele decidiu vir pessoalmente defender a posição brasileira. Essa decisão foi tomada “antes da crise e dos incêndios na Amazônia”, garantiu Cozendey.

Ao comitê da OCDE, Salles “reafirmou o compromisso do Brasil com o acordo de Paris”. O ministro disse que defende a “bioeconomia”, o desenvolvimento sustentável e a busca de atividades produtivas que permitam aos 20 milhões de moradores da região amazônica de viver e não cair em atividades ilegais”.

Imprensa francesa

O ministro brasileiro fugiu da coletiva à imprensa na embaixada, mas falou com exclusividade a alguns jornalistas franceses. Le Figaro publicou nesta sexta-feira uma entrevista com Ricardo Salles como o título: “Amazônia; o Brasil contra-ataca”. O ministro também conversou com a Agência France Presse. Aos dois veículos, ele afirmou as mesmas coisas.

O jornal conservador escreve que Salles veio “denunciar a desinformação das últimas semanas sobre a responsabilidade do governo Bolsonaro na aceleração do desmatamento da Amazônia”. À AFP ele declarou que veio "fornecer dados completos porque, nos últimos meses, muitas informações sobre os incêndios na Amazônia foram imprecisas". O desmatamento na floresta quase dobrou desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder em janeiro de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado, mas à AFP Ricardo Salles declarou que é preciso examinar "todos os dados históricos" desde 2004 - 2005, quando "o desmatamento atingiu o triplo de hoje, antes de declinar e depois subir, ano após ano, a partir de 2012".

"Precisamos focar nas origens desse aumento", que ele aponta estar essencialmente ligado ao "desmatamento ilegal, que devemos combater". Segundo Le Figaro, o advogado de formação, contestado por suas posições a favor do agronegócio, recusa as críticas e as afirmações de que os drásticos cortes orçamentários em seu ministério contribuíram para o aumento dos incêndios. Para a Salvaguarda da Amazônia, Brasília propõe antes de mais nada uma resposta econômica. “Se quiserem ajudar o Brasil, invistam no país”, pediu.

Evolução da situação

Salles promete ao Le Figaro que a “situação dos incêndios na Amazônia vai melhorar rapidamente”. O jornal espera ver as provas fornecidas pelas imagens dos satélites.

Questionado sobre as acusações de "colonialismo" feitas pelo presidente Bolsonaro em seu discurso na ONU, implicitamente contra a França, o ministro do Meio Ambiente lembrou à AFP as "relações históricas e fortes" entre a França e o Brasil, especialmente "em termos de investimentos".

No entanto, nenhum encontro oficial ou reunião política com autoridades francesas foi programada durante a visita de Salles a Paris. Tudo indica que a tensão diplomática entre os dois países, provocada pela reação de Bolsonaro à posição do presidente Macron sobre os incêndios na Amazônia, ainda não foi superada.

Da França, o ministro brasileiro do Meio Ambiente viaja para a Alemanha, onde deve tentar relançar o financiamento alemão para o Fundo Amazônia. Por fim, ele vai ao Reino Unido.

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