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A Semana na Imprensa

Mais ecológico e disposto a rever lei do asilo, “novo Macron” mira eleitores de Le Pen

Áudio 03:08
Revista L'Obs pergunta se Macron realmente mudou.
Revista L'Obs pergunta se Macron realmente mudou. Reprodução / L'Obs

A revista L’Obs desta semana traz como reportagem principal um balanço do mandato de Emmanuel Macron, iniciado em maio de 2017. A publicação constata uma série de mudanças de postura do chefe de Estado nos últimos meses e questiona se trata-se de uma verdadeira estratégia política ou apenas de uma forma de reciclar sua imagem.

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L’Obs revela que, desde setembro, quando o presidente voltou de férias, o tom mudou no Palácio do Eliseu. Logo na primeira reunião com seus ministros, “Macron disse que, após dois anos de reformas impostas de forma acelerada, agora era hora de se concentrar em temas como imigração e segurança”, descreve a reportagem.

O chefe de Estado frisou que a lei sobre o direito de asilo, atualmente em vigor e da qual a França sempre se orgulhou, deveria ser revista. Ele estaria disposto a abordar o tema sensível dos clandestinos que vivem no país se beneficiam de serviços médicos gratuitos. “Um discurso bem diferente do Macron que durante a campanha felicitava Angela Merkel por sua política migratória e que dizia que a imigração era algo positivo do ponto de vista econômico, cultural e social”, avalia L’Obs.

Para a revista, essa mudança de tom faz parte de uma estratégia política. Ao abordar o assunto, ele avança em um terreno habitualmente dominado pela líder da extrema direita, Marine Le Pen, sua adversária em 2017 na corrida presidencial e possível oponente para uma tentativa de reeleição em 2022. “Para não se afastar das classes populares e deixar o caminho livre para a rival, ele considera que é necessário se mostrar mais firme sobre o assunto”, analisa a reportagem. O debate sobre a imigração será iniciado na Assembleia Nacional no final do mês, avisa a revista.

De acordo com o texto, Macron também estaria ouvindo mais os sindicatos, principalmente após a revolta dos “coletes amarelos”. O líder francês também estaria dando mais espaço para seu primeiro-ministro Édouard Philippe, ofuscado por sua presença na primeira parte do mandato.

Ecologia na agenda

Mas a grande mudança de postura, e talvez a única totalmente assumida pelo chefe de Estado, é sobre temas ambientais, pondera L’Obs, que traz uma foto do presidente abraçado com o cacique Raoni. Segundo o próprio Macron, a mobilização dos jovens, encabeçada por Greta Thunberg, teria mudado sua opinião sobre o assunto, como mostra a implementação recente de um Conselho de Defesa Ecológica, ou ainda o fim do projeto de minério da Montanha de Ouro na Guiana Francesa, enumera a revista. “Em outubro, o novo Macron verde terá a ocasião de mostrar novamente suas ambições durante o lançamento de uma convenção cidadã sobre o clima, na qual 150 franceses sorteados poderão apresentar propostas concretas”, relata L’Obs.

A revista explica que boa parte dessas mudanças são fruto de uma reflexão após o grande debate popular, quando Macron viajou pelo país ouvindo as reclamações dos franceses. Em agosto, ele teria aproveitado as férias de verão para ler o resumo desses encontros. A principal conclusão, avalia a reportagem, é que o presidente entendeu que precisaria do apoio da população se pretende fazer as reformas previstas. E isso seria o ponto de partida de sua nova estratégia.

No entanto, a revista se questiona sobre a sinceridade dessas mudanças. “O presidente não parece ser mais o mesmo. Mas será que isso é verdade ou apenas uma vasta operação de comunicação para melhorar sua imagem?”, pontua L’Obs.

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