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Imprensa francesa critica ação do governo após incêndio em indústria química de Rouen

Fumaça do incêndio da fábrica Lubrizol em Rouen, França. 26/09/19
Fumaça do incêndio da fábrica Lubrizol em Rouen, França. 26/09/19 DOUSSAL QUENTIN/via REUTERS

Os jornais franceses desta segunda-feira (30) tratam da preocupação dos moradores de Rouen, no norte da França, com as consequências do incêndio na indústria química Lubrizol, na madrugada da última quinta-feira (26). No domingo (29), o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, prometeu "transparência total" sobre as condições do acidente e garantiu que irá responder a todas as dúvidas da população.

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Além do premiê francês, no sábado (28), em coletiva de imprensa, o governador da região da Normandia, Pierre-André Durand, evocou uma "situação normal" da qualidade ar em Rouen. Mas os jornais franceses demonstram ceticismo diante das garantias das autoridades.

"Dias após o imenso incêndio na usina, a três quilômetros do centro da cidade, as imagens das chamas e da impressionante fumaça preta continuam na memória das pessoas, que questionam as consequências sanitárias e ambientais do incidente", publica o jornal Libération.

Não é à toa que, nos últimos dias, os serviços de emergência da região foram extremamente requisitados, afirma o jornal Le Figaro. Entre os sintomas mais frequentes apontados pela população estão crises de asma, enxaqueca, irritação na garganta e nos olhos, tosse, entre outros.

Entrevistado pelo diário, o diretor-adjunto do Samu de Rouen, Cédric Damm, afirmou que, diante da falta de esclarecimento das autoridades e da preocupação crescente dos moradores da região, os médicos aconselharam aos indivíduos com saúde mais frágil para deixar a cidade no fim de semana. Mas, segundo o especialista, as dúvidas devem se intensificar nesta segunda-feira, quando escolas e creches reabrem suas portas, destaca Le Figaro.

Odor de fumaça continua

O jornal La Croix salienta que, no centro de Rouen, o odor de fumaça continua, enquanto manchas de combustíveis emergem no Rio Sena, que banha a cidade, além da fuligem que se aderiu a prédios, ruas e veículos, enquanto as autoridades insistem em um discurso tranquilizador.

Entrevistada pelo diário, Nadine Lauverjat, uma porta-voz da associação ambiental Générations Futures, lembra que alguns dos derivados de petróleo utilizados pela fábrica são cancerígenos. Além disso, a especialista destaca que os efeitos tóxicos sobre a saúde das pessoas nunca são imediatos. Segundo ela, os dados divulgados pelas autoridades ainda são imprecisos para que o impacto sanitário e ambiental do incêndio seja avaliado.

Inconformados, vários sindicatos franceses e ONGs ecologistas, como o Greenpeace e a France Nature Environnement, convocaram a população para uma manifestação na terça-feira (1°), diante do Palácio de Justiça de Rouen. Para as lideranças ambientalistas do país, "o gerenciamento do drama é escandaloso", conclui o jornal La Croix.

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