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Imprensa/ Zika

Experiência com mosquitos modificados geneticamente na Bahia é criticada por cientistas

Na imprensa francesa, destaque para o problema dos mosquitos geneticamente modificados introduzidos no Brasil
Na imprensa francesa, destaque para o problema dos mosquitos geneticamente modificados introduzidos no Brasil Fotomontagem RFI/ Lefigaro.fr

Os mosquitos modificados no Brasil são tema de reportagem do Le Figaro desta quinta-feira (3). O jornal francês se pergunta se a experiência teria sido uma boa ideia.

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Entre 2013 e 2015, a empresa britânica de biotecnologia Oxitec lançou, na pequena cidade de Jacobina, na Bahia, milhões de mosquitos geneticamente modificados.

Portadores de um gene de autodestruição transmissível aos seus descendentes, estes mosquitos tinham como objetivo reduzir a população local de Aedes aegypti, para frear a circulação de vírus como zika, dengue e chicungunya.

Mas pesquisadores independentes da universidades de São Paulo, a USP, e de Yale, nos Estados Unidos, afirmam que os engenheiros perderam o controle sobre a experiência.

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, mostra que um pequeno número de insetos criados para a experiência sobreviveu à sua morte anunciada.

“Trata-se de um exemplo típico de tecnologia que funciona muito bem em laboratório, mas torna-se dificilmente controlável na natureza”; afirma a médica epidemiologista Anna-Bella Failloux, do Instituto Pasteur, ao Le Figaro.

 

“Conclusões alarmistas”

Em um comunicado, a empresa Oxitec denuncia as conclusões “alarmistas” do estudo, que ela julga “cientificamente infundadas” e diz que o experimento colocado em prática no Brasil havia sido testado por uma década, com amostras cubanas e mexicanas.

A empresa disse também que estudos precedentes mostram que a presença dos genes diminui com o tempo.

Fato raro no mundo das publicações científicas, os editores da revista Nature disseram que irão re-examinar o artigo criticado.

A ideia de recorrer ao próprio mosquito para combater sua presença na natureza existe há pelo menos 20 anos, devido à resistência crescente aos inseticidas e à ausência de desenvolvimento de novas moléculas.

Sucesso passageiro

A Oxitec se inspirou na técnica do inseto estéril, utilizada com sucesso em outras espécies. Esta técnica consiste no lançamento em massa de machos estéreis na natureza.

Na amostra fabricada pela Oxitec, um gene que impede a maturação das larvas foi introduzido. Os ovos dos mosquitos criados pela Oxitec eclodem, mas as larvas não atingem a idade adulta.

Estas estirpes foram primeiro testadas em laboratório, depois num meio confinado e ainda, em pequena escala, nas ilhas Cayman, antes de serem lançadas em condições reais em Jacobina.

Este processo de alto custo e difícil de ser colocado em prática continua sendo testado no Brasil atualmente.

A partir de 2013, e durante 27 meses, os engenheiros da Oxitec liberaram, com o acordo das autoridades brasileiras, 450.000 mosquitos por semana nos bairros periféricos de Jacobina.

O método se mostrou eficaz: houve uma forte queda no número de mosquitos na cidade. Mas o sucesso foi passageiro; logo a população de mosquitos voltou a crescer até chegar ao número inicial.

Os críticos da experiência temem duas coisas: que ela reforce nos mosquitos e capacidade de transmitir os vírus patogênicos e que estes mosquitos possam se tornar ainda mais resistentes aos inseticidas.

Apesar disso, a epidemiologista do Instituto Pasteur, Anna-Bella Failloux, lembra que o contexto de crise sanitária em que este estudo foi lançado é extremamente importante: "Em pela epidemia de zika, a urgência de salvar vidas e a pressão política podem ter conduzido ao lançamento deste estudo sem o recuo científico necessário".

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