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Paris/Ataque

Ataque contra sede da polícia de Paris: motivação terrorista não está completamente descartada

A imprensa francesa desta sexta-feira em peso destaca o ataque contra a sede da policia francesa em Paris.
A imprensa francesa desta sexta-feira em peso destaca o ataque contra a sede da policia francesa em Paris. Fotomontagem RFI

A imprensa francesa desta sexta-feira (4) em peso destaca o ataque contra a sede da polícia francesa em Paris. Os jornais tentam entender o gesto do funcionário que trabalhava no local há mais de 16 anos e se converteu há pouco tempo ao Islã. Ele matou quatro de seus colegas a facadas nessa quinta-feira (3).

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"Muita emoção e várias perguntas" é a manchete do Figaro. O jornal conservador informa que, por enquanto, nenhuma pista está descartada para explicar o ato do agente administrativo do serviço de informática da Direção de Inteligência. Na quinta-feira, durante o expediente e em seu local de trabalho, no prédio histórico da sede da polícia na ilha da Cité, ao lado da Notre Dame, ele matou três policiais e uma funcionária administrativa com uma faca de cozinha.

A arma branca de cerâmica não é detectada pelos pórticos de segurança e indicaria a premeditação do ato. O agressor de 45 anos foi morto a tiros no local ao oferecer resistência para largar a faca e se entregar. Uma quinta funcionária, gravemente ferida no ataque, encontra-se hospitalizada.

Nunca a sede da polícia, um dos prédios mais seguros e bem guardados da capital tinha sido o teatro de tamanha matança afirma Le Figaro. “Como é possível que um lugar tão protegido e que um serviço tão sensível quanto a direção de inteligência tenha sido o palco de um drama como este?”, pergunta o diário.

Perfil desconcertante

Le Figaro diz que o perfil do agressor é desconcertante. Identificado como Michael H., ele nasceu na Martinica e seria, segundo algumas fontes, surdo e mudo. O funcionário exemplar e até então sem antecedentes mudou de atitude de uma hora para outra. Mesmo se a pista de um problema pessoal ou de um ato de loucura é privilegiada, a hipótese de um ataque terrorista não está, por enquanto, completamente descartada. O agressor, que se converteu ao Islã há 18 meses, teria sido convocado por sua chefe para explicar porque não cumprimentava mais as mulheres.

Le Parisien e Libération trazem a mesma manchete: “a polícia atingida no coração”. As forças de ordem francesas viveram mais um dia trágico, mas desta vez em seu centro nevrálgico, escreve Le Parisien. Mesmo se a investigação continua, em seu editorial, o diário não deixa de lembrar os atentados terroristas ocorridos na França nos últimos anos, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, que marcaram definitivamente o inconsciente francês.

Polícia pede prudência

Fontes da polícia, citadas por Libération, pedem prudência. "O agressor se converteu ao Islã recentemente, mas isto não traz, a princípio, nenhum problema. As pessoas têm o direito de exercer a religião de sua escolha. Além disso, nenhuma indicação de uma eventual radicalização foi feita e ele não era alvo dos serviços de inteligência", afirma o entrevistado ao jornal.

Liberation lembra que o drama aconteceu no dia seguinte de uma mobilização social inédita dos policias franceses em Paris para denunciar a degradação das condições de trabalho, a reforma da Previdência e o número recorde de suicídios na categoria. O jornal conclui que um cartaz premonitório abria a passeata que reuniu mais de 26 mil pessoas na quarta-feira (2): "todos os funcionários de polícia unidos contra o suicídio e as agressões".

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