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Imprensa

Paris: protesto contra reprodução assistida critica “comércio do corpo”

Cartaz visto na manifestação em Paris questiona: "Onde está o pai?"
Cartaz visto na manifestação em Paris questiona: "Onde está o pai?" REUTERS/Christian Hartmann

Os jornais franceses desta segunda-feira (7) analisam o protesto da véspera contra uma lei de bioética em discussão, que garante a reprodução assistida a todas as mulheres. Cerca de 75 mil pessoas participaram da manifestação, segundo um órgão independente. Os organizadores da marcha reivindicam 600 mil participantes.

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O Libération, de esquerda, faz um jogo de palavras e diz que os manifestantes “subiram no fel”, ao invés de “céu”, devido à virulência das palavras de ordem, exclamadas ou escritas em faixas, ou das explicações de manifestantes. “Estamos entrando na era do comércio do corpo, estamos vendo a volta da escravidão”, diz o presidente de uma “microscópica” – segundo o Libé – organização de cristãos de esquerda.

A Assembleia Nacional francesa debate atualmente um projeto de lei de bioética, que poderá permitir que casais de lésbicas e mulheres solteiras recorram a esse tipo de tratamento para terem filhos, ou seja, com o reembolso de gastos. “Isso é nojento”, diz uma mulher entrevistada pelo Libération. “Não se trata de uma doença”, acrescenta.

“Sociedade sem pais, sociedade sem referência” são os dizeres de uma faixa destacada pelo jornal “Aujourd’hui em France”. Uma psicóloga vinda de Honfleur, a quase 300 km a leste de Paris, diz ao jornal que veio manifestar “porque é preciso colocar limites". Na opinião da profissional, "criar uma criança sem pai não é bom”. A seu lado, um homem acrescenta: “Somos contra a homofobia. Mas essa lei é o último cadeado contra a gestação solidária, que nada mais é que vender o corpo das mulheres”.

Le Figaro, de direita, analisa que a amplitude da manifestação volta a mobilizar os opositores desse tipo de lei, em referência ao ato histórico de 2013, quando mais de 300 mil pessoas de toda a França vieram protestar contra a lei do casamento para todos. Os organizadores da marcha aguardam agora “uma resposta do governo”, escreve o Figaro. E já convocam manifestantes para um novo ato, marcado para o dia 1° de dezembro.

O jornal católico La Croix lança a pergunta: “Um combate já perdido?”. Ao que uma manifestante retruca: “O processo está apenas no começo. Em política, nada se ganha por antecipação.”

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