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Muçulmanos na França

França: Ataque contra mesquita acirra novo debate sobre véu islâmico

Desde 2013, muçulmanas que usam véu já protestavam pelo direito de acompanhar os filhos em passeios escolares.
Desde 2013, muçulmanas que usam véu já protestavam pelo direito de acompanhar os filhos em passeios escolares. AFP PHOTO / FRED DUFOUR

No momento em que a eterna questão sobre o véu islâmico na França voltou aos holofotes, um ataque com motivação islamofóbica acirrou ainda mais o debate, que coloca o presidente Emmanuel Macron em uma situação delicada. Nesta terça-feira (29), o Senado francês vai analisar um projeto de lei para proibir o uso do véu por mães que acompanham seus filhos em passeios promovidos pelas escolas.

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A polêmica se iniciou há 13 dias, quando uma mãe muçulmana portando o hijab foi hostilizada por um vereador da extrema direita, enquanto participava de uma visita a um prédio público junto com estudantes, inclusive seu filho. Imagens que circularam nas redes sociais mostram a mãe tentando acalmar o garoto, que chora nos seus braços, antes de sair do edifício.

Na sequência, o partido conservador Os Republicanos apresentou a proposta de enquadramento legal da questão. Nesta segunda-feira (28), o presidente Emmanuel Macron recebeu representantes dos muçulmanos no palácio do Eliseu, para pedir a colaboração deles no esclarecimento dos fiéis a respeito “do lugar do véu, das mulheres e das escolas” na sociedade francesa, profundamente apegada à laicidade. “É preciso um discurso claro para não se prolongar a ambiguidade, da qual se alimentam os radicais”, disse o líder francês.

O debate coloca Macron em uma posição complicada: se, por um lado, o presidente evita estigmatizar ainda mais a população muçulmana na França, por outro é cobrado para ter firmeza em relação à proibição do uso do véu em repartições públicas, como determina a lei.

Idoso tentou incendiar mesquita

O ataque a uma mesquita de Bayonne, no sudoeste francês, intensificou ainda mais a discussão. Dois homens ficaram gravemente feridos nesta segunda-feira por tiros disparados no local por um idoso, depois que ele foi surpreendido enquanto tentava incendiar o templo. O homem, Claude Sinké, de 84 anos, foi detido. Sinké chegou a concorrer em 2015 em uma eleição local pelo partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen.

O ministro do Interior da França, Christophe Castaner, expressou sua solidariedade e apoio aos muçulmanos e observou que "os atos cometidos na mesquita de Bayonne nos comovem e ultrajam a cada um de nós". Abdallah Zekri, presidente do Observatório Nacional contra a Islamofobia e Delegado Geral do Conselho Francês da Fé Muçulmana (CFCM), "condenou esse ato criminoso", em declarações à AFP.

"Há uma grande preocupação entre a comunidade muçulmana da cidade", disse o representante do CRCM regional. "Com o atual clima de estigmatização do Islã e dos muçulmanos, não é de surpreender que tais atos possam ocorrer", acrescentou.

 

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