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Terrorismo

Sobreviventes de atentados de Paris criticam “abandono” de curdos pelo Ocidente

Em Milão, italianos protestam a favor dos curdos (26/10/2019)
Em Milão, italianos protestam a favor dos curdos (26/10/2019) REUTERS/Flavio Lo Scalzo

A poucos dias do quarto aniversário dos atentados de 13 de novembro em Paris, contra a casa noturna Bataclan e restaurantes da cidade, um grupo de sobreviventes dos ataques jihadistas lança um apelo em defesa dos curdos na Síria. As vítimas afirmam que a atuação curda contra o grupo Estado Islâmico “garantiu a paz” .

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“Estamos indignados com a passividade da França e a comunidade internacional, que depois dos atentados de Paris, não hesitou em intervir na Síria ao lado dos curdos contra os nossos assassinos”, afirma o artigo, publicado no jornal francês Le Parisien. O texto denuncia o “abandono” de Paris dos curdos sírios, com os quais a França tem uma “dívida inestimável”.

“Enquanto sobreviventes do terrorismo, é impossível ficarmos silenciosos e indiferentes ao atentado permanente que vivem essas populações”, diz o texto, assinado por 44 sobreviventes dos ataques. “Quando fomos atacados em 2015 e contávamos nossos mortos, esses curdos, árabes, yazidis e assírios lutavam juntos contra o Estado Islâmico, inimigo da humanidade.”

Fuga de terroristas – que poderiam voltar a atacar a Europa

O texto alerta para os riscos de fuga dos terroristas do norte da Síria após a ofensiva da Turquia contra os curdos na região, “em especial os mais perigosos jihadistas franceses” que foram combater ao lado do grupo Estado Islâmico em nome do califado na Síria.

O coletivo declara “apoio e solidariedade” às populações do norte da Síria, alvo dos ataques do exército do presidente Recep Tayyp Erdogan entre 9 e 23 de outubro. A milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG) é apoiada por países ocidentais, mas considerada como "terrorista" por Ancara.

Dias antes do início da operação militar turca, os Estados Unidos anunciaram a retirada das suas tropas da Síria – o que significou o abandono dos curdos. Um acordo de cessar-fogo negociado pela Turquia com os americanos e os russos, separadamente, suspendeu os combates, que deixaram centenas de mortos e milhares de deslocados.

Cerca de 12 mil curdos que fugiram dos confrontos encontraram refúgio em acampamentos no Curdistão iraquiano. Além destes, milhares de terroristas estão detidos em prisões no norte da Síria. Washington avalia que pelo menos 100 já puderam escapar, se aproveitando do caos na região.

Com informações da AFP

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