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Uigures refugiados na França são "perseguidos" por Pequim

Manchete do jornal Libération denuncia a perseguiçao por Pequim de integrantes da minoria muçulmana chinesa uigure exilados na França.
Manchete do jornal Libération denuncia a perseguiçao por Pequim de integrantes da minoria muçulmana chinesa uigure exilados na França. Reprodução

Libération aproveita a visita do presidente francês, Emmanuel Macron, à China, a partir desta segunda-feira (4), para denunciar a perseguição por Pequim de uigures, integrantes da minoria muçulmana chinesa exilados na França.

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O jornal revela os vários métodos de intimidação do governo chinês contra a comunidade uigure no estrangeiro. Pacotes estranhos enviados pelo correio, telefonemas anônimos: no mundo inteiro os uigures são vigiados e intimidados pelo regime de Pequim. Na China, mais de um milhão de integrantes da minoria étnica são mantidos em centros de detenção.

O artigo lembra que, há dois anos, o país comandado pelo presidente Xi Jinping separa as famílias uigures, na região do Xinjiang (noroeste). "Com o pretexto de lutar contra o radicalismo, o regime os detêm nos chamados centros de reeducação política, aniquilam suas tradições e realizam um verdadeiro sistema de opressão." O pesquisador alemão Adrian Zenz, citado por Libération, e várias ONGs internacionais de direitos humanos consideram esse sistema um "genocídio cultural".

Sem notícias de familiares

O diário francês informa que os uigures no exílio ficam, na maioria das vezes, meses sem notícias dos familiares na China. Por isso, o estranhamento e a desconfiança quando recebem encomendas ou telefonemas supostamente feitos por um membro da família.

Para exercer uma pressão psicológica sobre eles, a polícia e os serviços de inteligência chineses utilizam as informações pessoais obtidas via Wechat, o equivalente de Facebook no país. A administração chinesa conhece tudo sobre os exilados, do endereço pessoal à escola das crianças, passando pelo local de trabalho dos pais.

Um refugiado em Paris, identificado como “Jesur” e ouvido por Libération, recebeu um pacote suspeito pelo correio depois que aderiu à Associação dos Uigures da França. "Ou o regime me enviou um alerta porque consideram que virei ativista, ou tentam passar uma boa imagem, mostrando que as famílias podem enviar encomendas ao exterior e, por isso, Pequim não poderia ser acusada de ditadura", tenta entender Jesur. O jornal cita outros casos na França, mas também em outros países europeus.

"A separação de famílias é um dos critérios para acusar um Estado de crimes contra a humanidade e manter essa ilusão de uma ligação tem um duplo interesse: manter a pressão sobre os uigures no exílio e se precaver de eventuais ataques na Justiça", analisa nas páginas do jornal Vanessa Frangville, universitária belga, especialista de estudos chineses. Segundo ele, os integrantes da minoria muçulmana do Xinjiang não têm o direito de enviar nada pelo correio.

Violação dos direitos humanos

Os refugiados na França e em outros países contam ainda que se sentem inseguros quando vão à embaixada chinesa renovar documentos ou registrar os filhos. Além de uma violação dos direitos humanos que essa perseguição no estrangeiro representa, esse sistema mostra que a China montou ilegalmente uma grande rede de vigilância na França, na Europa, e é capaz de desrespeitar sem vergonha os direitos de um país soberano, alerta o editorial.

Libération denuncia a “discrição dos países ocidentais e árabes sobre a repressão da China contra os uigures”. O tema dos direitos humanos não integra a pauta da visita de três dias de Emmanuel Macron, que será dominada por questões comerciais, econômicas, culturais e climáticas. Sobre a opressão contra as comunidades muçulmanas do Xinjiang, o Palácio do Eliseu lembra que o assunto foi abordado em março, durante uma visita do presidente chinês Xi Jinping à França, e diz que Macron voltará a falar agora sobre a questão “sem tabu”, indica Libération.

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