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Polícia desmantela dois acampamentos com mais de 1.600 migrantes em Paris

Migrantes foram retirados de dois acampamentos no norte de Paris e levados para locais de acolhimento provisório na manhã desta quinta-feira (7).
Migrantes foram retirados de dois acampamentos no norte de Paris e levados para locais de acolhimento provisório na manhã desta quinta-feira (7). MARTIN BUREAU / AFP

Um dia após o anúncio de um controverso plano para o controle da imigração na França, a polícia desmantelou dois acampamentos no norte de Paris nesta quinta-feira (7). Segundo as autoridades, 1.606 migrantes foram retirados dos locais.

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Cerca de 600 policiais participaram do desmantelamento de dois acampamentos que abrigavam centenas de pessoas no bairro de La Chapelle e sob as pontes do anel viário periférico ao norte de Paris. A maioria são afegãos, africanos e famílias com crianças. Os migrantes foram levados em ônibus fretados para locais de acolhimento provisório.

As autoridades dizem estar determinadas a retomar o domínio de áreas que se tornaram "incontroláveis” e “insalubres”. Desde 2015, a polícia já fez 59 operações semelhantes nessa região de Paris.

O ministro do Interior, Christophe Castaner, prometeu analisar a situação de cada um dos migrantes, ratificando a vontade do governo de acolher as pessoas. "Há homens e mulheres que aguardam a resposta do pedido de asilo. Para isso, temos locais que dobramos de quantidade desde 2015. Eles serão mais de 100.000 até o fim deste ano", afirmou em entrevista à France Info.

No entanto, o ministro ressaltou que "para aqueles que não puderem permanecer na França", o governo emitirá ordens para que deixem o território. "Faz muito tempo que perdemos o controle da integração", afirmou, criticando as más condições para o acolhimento dos migrantes no país.

Prefeita de Paris critica falta de ação do governo

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, estava presente durante a operação de desmantelamento. A situação dos migrantes na capital francesa é motivo de tensão entre a prefeita e o governo Macron. Hidalgo acusa o Estado de fazer "prosperar a falta de dignidade e o caos" com sua falta de ação.

"Essa foi a 59a operação de desmantelamento e nosso medo é a reconstituição dos acampamentos", reagiu o vice-prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire. "Se eles não forem acolhidos de maneira constante, vão se instalar em outros locais", enfatizou.

Durante a operação, a associação Médicos do Mundo denunciou a nova política de imigração do presidente Emmanuel Macron que, segundo a associação, cerceia os direitos dos solicitantes de asilo. A ONG está furiosa com o período de carência de três meses imposto pelo governo para que os solicitantes de asilo maiores de idade tenham acesso à assistência médica.

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