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Um pulo em Paris

Marcha contra a islamofobia em Paris divide classe política francesa

Áudio 08:32
Marcha contra a islamofobia também foi realizada em outras cidades, como em Bruxelas.
Marcha contra a islamofobia também foi realizada em outras cidades, como em Bruxelas. NICOLAS MAETERLINCK / BELGA / AFP

O Coletivo contra a islamofobia na França (CCIF) convocou para este domingo (10) uma marcha visando chamar a atenção da população para o preconceito visando os muçulmanos do país. Lançada após uma série de episódios recentes de discriminação, a iniciativa contou com o apoio de parte da classe política francesa, mas vem perdendo adesão nos últimos dias.

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Além do polêmico debate sobre o uso de véu islâmico, do burquini ou da ostentação de símbolos religiosos em locais públicos, a marcha foi convocada na mesma semana em quem o governo francês divulgou um estudo inédito sobre o preconceito contra os muçulmanos no país. De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), “42% dos muçulmanos que vivem no país afirmam terem sido vítimas de alguma forma de discriminação ligada à religião”.

Ainda segundo o relatório, 13% dos entrevistados foram discriminados durante um controle policial, 17% ao se candidatarem para um emprego e 14% ao procurarem uma moradia. O preconceito no recrutamento profissional é algo que já levou várias associações e defenderem a adoção do currículo anônimo no país, sem nome ou foto do candidato.

Risco de propaganda ideológica

Os idealizadores da marcha, que deve sair da Gare du Nord, estação de trem no norte de Paris, reuniram em um manifesto assinaturas de apoio de vários líderes políticos, principalmente dos partidos de esquerda (socialistas, comunistas e ecologistas). No entanto, nos últimos dias alguns deles pediram para terem seus nomes retirados da lista e já avisaram que não vão participar da passeata.

A principal razão dessa mudança de postura é que o CCIF, que idealizou a marcha, é acusado de estar ligado a Irmandade Muçulmana, a organização que promove o chamado Islã Político, uma corrente ideológica radical que atua em vários países e que defende o estabelecimento de um Estado baseado em princípios religiosos. A entidade, que foi considerada clandestina durante antes, é partidária da adoção da lei islâmica, rejeitando qualquer tipo de influência ocidental.

Os políticos franceses, que partiam de uma boa intenção, temem agora que essa marcha se torne um instrumento de propaganda ideológica em defesa do Islã Político, algo que é mal visto em um país que se orgulha de sua tradição laica.

 

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