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Cinema

Nova acusação de estupro contra Polanski perturba estreia de filme na França

Manifestantes protestam diante de cinema em Paris na pré-estreia do filme "J'accuse", de Roman Polanski.
Manifestantes protestam diante de cinema em Paris na pré-estreia do filme "J'accuse", de Roman Polanski. Christophe ARCHAMBAULT / AFP

A estreia do mais recente filme de Roman Polanski na França, nesta quarta-feira (13), foi marcada por protestos. O diretor franco-polonês é alvo de uma nova acusação de estupro, o que levou manifestantes para as portas dos cinemas e fez com que vários atores que estrelam o filme "J'accuse" anulassem entrevistas de divulgação do projeto. A Sociedade de cineastas da França ameaça suspender o diretor.

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A promoção de "J'accuse", Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza, foi alterada: seus protagonistas Jean Dujardin e Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski, tiveram de cancelar as costumeiras entrevistas de promoção. A medida foi tomada após várias feministas bloquearem, na terça-feira (12) a pré-estreia do filme em um cinema parisiense, aos gritos de "estuprador Polanski".

Pedidos de boicote à obra também circulam nas redes sociais. No Twitter, alguns internautas compartilharam a hashtag #BoicotePolanski, enquanto circulavam mensagens com um trocadilho a partir do nome do filme que, de “Eu acuso” (“J’accuse”), se tornou “Eu abuso” (J’abuse).

O cineasta de 86 anos foi acusado na sexta-feira (8) por uma francesa, Valentine Monnier, de tê-la estuprado depois de espancá-la em 1975, na Suíça, quando ela tinha 18 anos. Ela disse que decidiu denunciar o caso agora em resposta ao tema do novo filme de Polanski.

Baseado em uma história real, "J'accuse" conta o erro judicial de que o militar judeu Alfred Dreyfus, por razões antissemitas, foi vítima no final do século XIX na França. Durante a divulgação do projeto, o diretor, que alega ter sido injustamente criticado durante anos pela opinião pública, disse estar "familiarizado com muitas das performances do aparato de perseguição exibido no filme".

Por meio de seu advogado, Polanski negou as acusações de Valentine Monnier e disse que estuda uma "ação legal" para se defender.

Cineasta já é protagonista de outros escândalos sexuais

Esse não é o primeiro escândalo sexual envolvendo o diretor. O cineasta é considerado foragido da Justiça dos Estados Unidos, onde, em 1977, foi acusado de estuprar uma menor de 13 anos. Outras mulheres alegaram terem sido abusadas sexualmente por ele nos últimos anos.

Apesar ter contado com apoio de intelectuais franceses e da indústria cinematográfica do país, Polanski convive com as acusações, que esporadicamente voltam à tona. Um protesto popular o forçou em 2017 a recusar o convite para presidir o Prêmio César, o Oscar do cinema francês. No mesmo ano, uma retrospectiva sobre sua obra na Cinemateca francesa quase foi anulada.

No entanto, essa nova acusação, a primeira envolvendo o cineasta após o movimento #metoo, tem tomado proporções bem maiores. Além da anulação das entrevistas de atores que participaram do filme, programas de televisão com reportagens sobre a estreia, que já haviam sido gravados, foram cancelados.

O caso também levou a Sociedade Civil de Autores, Produtores e Produtores (ARP), da qual Polanski faz parte, a anunciar que estuda a implementação de medidas contra membros que foram julgados por agressão sexual. A entidade, que federa os cineastas franceses, também cogita a possível suspensão de Polanski.

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