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França/coletes amarelos

Movimento dos "coletes amarelos" completa um ano com efeitos positivos na economia

Movimento dos coletes amarelos foi marcado por violentos protestos.
Movimento dos coletes amarelos foi marcado por violentos protestos. Pascal PAVANI / AFP

O diário econômico francês Les Echos desta sexta-feira (15) dedica sua capa e várias páginas ao movimento dos coletes amarelos, que completa um ano neste domingo (17). O jornal analisa as consequências dos protestos na economia francesa e no comportamento do chefe de Estado.

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A crise dos coletes amarelos começou com o aumento dos impostos sobre os combustíveis e evoluiu para uma ampla pauta de reivindicações. O presidente francês perdeu popularidade e teve que adotar, ainda em 2018, medidas propostas pelo movimento para melhorar o poder aquisitivo da população. O chefe de Estado também saiu em caravana pelo país para debater diretamente com os franceses.

O jornal Les Echos diz que outras crises se sobrepuseram àquela que levou multidões às ruas. Entre elas, a reforma da Previdência e a crise nos hospitais e nas universidades públicas, por exemplo. O fato é que o efeito "coletes amarelos" fez com que Macron mudasse o seu comportamento. "Depois de uma primeira fase bastante vertical de seu mandato, ele garante ter aprendido, com esta crise, a ouvir e discutir mais, tendo os franceses como mediadores”, ressalta o jornal, que também acredita que, agora, o presidente tenha mais "humanidade."

O Les Echos ainda lembra que o investimento de cerca de € 17 bilhões para tentar “apagar o incêndio social” no final do ano passado, fez com que a economia francesa resistisse melhor que seus vizinhos à desaceleração do crescimento da economia global, fazendo de Macron "um adepto de Keynes", em alusão ao economista britânico John Keynes, que defende a função social do Estado na melhoria das condições de vida da população, o chamado Estado-Providência.

O jornal também destaca que o presidente mudou sua maneira de comunicar com o povo. No início do mandato, Macron protagonizou episódios que o levaram a ter fama de arrogante, como quando deu uma bronca em um jovem que o chamou de "Manu."

Apesar disso, lembra o jornal, Macron não tem um projeto de coesão da sociedade e terá semanas difíceis pela frente: as greves anunciadas a partir do dia 5 de dezembro, para protestar contra a reforma da Previdência, garantem um fim de ano agitado para Macron e para os franceses. O governo também teme que os coletes amarelos voltem às ruas para comemorar o aniversário de um ano dos protestos de forma violenta.

O movimento continua

Uma outra matéria no mesmo jornal diz que, apesar de enfraquecido, o movimento nunca deixou de existir. “Os grupos no Facebook aspiram reencontrar esta visibilidade e convocam os coletes amarelos e se encontrarem na avenida Champs Elysées, que se tornou simbólica nas manifestaçõs”, escreve Les Echos. As figuras emblemáticas do movimento também desapareceram da mídia. Apesar disso, diz o jornal, o movimento continua a ter a aprovação de 22% dos franceses, segundo pesquisa do instituto Elabe.

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