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Jornais notam submissão de Sarkozy a Angela Merkel

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel. REUTERS/Philippe Wojazer

Os jornais desta sexta-feira, 2 de dezembro, destacam em manchete o longo discurso do presidente francês Nicolas Sarkozy, pronunciado ontem à noite, sobre a crise na Europa.  

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O jornal de tendência comunista L'Humanité nota em primeira página que três anos após um pronunciamento feito na mesma cidade de Toulon, em que o chefe de Estado prometia uma guerra contra a desregulamentação do sistema financeiro, nada mudou para melhor, pelo contrário. Para o L'Humanité, agora a França está disposta a se submeter às políticas ortodoxas impostas pelo governo alemão.

O progressista Libération critica a excessiva devoção de Sarkozy a Angela Merkel, e afirma que o líder francês, batizado pelo jornal de Merkozy, se converteu num presidente modelo alemão, com um discurso alarmista sobre a crise e nenhum voluntarismo político. A relação franco-alemã, aliás, permeia todas as análises.

O diário conservador Le Figaro considera que Sarkozy deixou bem claro que para salvar a zona do euro, os franceses farão mais sacrifícios. "Cabe agora a Angela Merkel aceitar a mutualização das dívidas", espera Le Figaro.

O diário econômico Les Echos estima que um eixo econômico reforçado entre a França e a Alemanha seria benéfico para toda a zona do euro, mas opina que a condição para um bom funcionamento da dupla não pode ser exclusivamente a ortodoxia orçamentária exigida por Berlim. Para a França tirar benefício dessa relação, teria de haver uma integração industrial muito mais forte entre os dois países, escreve o editorialista do Les Echos.

Em manchete, o diário econômico diz que Sarkozy pediu um esforço suplementar dos franceses. Nenhuma medida espetacular foi anunciada no discurso presidencial, mas o jornal sublinha a intenção de Sarkozy de continuar reduzindo o tamanho do Estado pela não substituição da metade dos servidores que se aposentarem. Em cinco anos de governo Sarkozy, essa medida - bem vista pelas agências de classificação de risco mas criticada pela população - resultou no fechamento de 150 mil postos de trabalho no setor público.

Algumas páginas adiante, Les Echos relata as difíceis negociações entre emergentes e o FMI para socorrer a zona do euro. Brasil e Rússia estariam dispostos a mobilizar 10 bilhões de dólares cada um para ajudar a Europa; no caso da China, fala-se em 100 bilhões de dólares. Mas nada está definido.

 

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