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Anúncio de Sarkozy de cobrar Taxa Tobin na França irrita europeus

O presidente Nicolas Sarkozy em seu pronunciamento de Ano Novo à nação.
O presidente Nicolas Sarkozy em seu pronunciamento de Ano Novo à nação. REUTERS/TF1

A decisão do presidente Nicolas Sarkozy de adotar um imposto sobre operações financeiras na França até o final do ano, mesmo sem o aval de seus parceiros europeus, é o destaque principal do jornal Le Figaro deste sábado. O Palácio do Eliseu quis acelerar o calendário para cobrar a chamada Taxa Tobin aproveitando o período eleitoral francês, mas o “exemplo” que o governo pretende dar pode significar também o isolamento do país, alerta o jornal.

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O anúncio feito pelo presidente Sarkozy de que a França não vai esperar o sinal verde de seus vizinhos europeus não agradou Berlim que é contra a proposta, afirma o Le Figaro. O jornal cita uma declaração do porta-voz do governo alemão de que a posição do país é por um imposto a ser cobrado no conjunto da União Europeia e não de maneira unilateral. Favorável à taxa Tobin, o chefe de governo italiano, Mario Monti, também quer vê-la aplicada em todo bloco, lembra o jornal, ilustrando a reportagem com uma foto dos líderes dos três países de mãos dadas em uma reunião em Estraburgo no último mês de novembro.

Para mostrar o quanto a França está isolada neste iniciativa, o Le Figaro explica que a proposta apresentada em nível europeu não poderia ser adotada antes de 2013 devido a série de reuniões técnicas que estão previstas. A rejeição já demonstrada por Grã-Bretanha, que teme a perda de competitividade de seu sistema financeiro, e pela Suécia, que já experimentou a cobrança do imposto sobre transações financeiras nos anos 90 sem bons resultados, revela quanto será difícil avançar no tema, sugere o Le Figaro.

Sarkozy não provoca uma unanimidade na Europa, escreve o Libération na manchete de sua reportagem dedicada ao assunto. O ativismo eleitoral de Nicolas Sarkozy, que deverá anunciar que concorrerá a um segundo mandato nas eleições presidenciais de abril, começa a irritar seus parceiros europeus, afirma o jornal em alusão às reações negativas de Berlim e Roma, citadas no artigo.

A decisão de impor uma taxa sobre transações financeiras só na França é uma reviravolta na postura de Sarkozy que sempre excluiu uma decisão solitária sobre este imposto, lembra o Libération. Um economista ouvido pelo jornal diz que adotar uma taxa só na França não seria dar “um tiro no pé, mas sim, na cabeça”.

O Aujourd’hui en France repercutiu ainda as reações negativas no setor bancário que rejeita a ideia de uma taxa cobrada sobre operações financeiras apenas na França. Um executivo de um dos maiores bancos franceses, o BNP Paribas, afirma que a taxa só faz sentido se for cobrada em nível mundial e expressou sua preocupação de que os investimentos desapareçam da França para circular em outras praças financeiras onde o imposto não será cobrado.
 

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