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Naufrágio/ Costa Concordia

Dono da Costa Cruzeiros diz que capitão do Concordia enganou a empresa

REUTERS/Tony Gentile

Pier Luigi Foschi, presidente da Companhia Costa Cruzeiros, afirmou nesta quarta-feira que o capitão do Concordia, Francesco Schettino, enganou sua empresa com declarações que não permitiram medir a gravidade da catástrofe.

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Durante uma intervenção feita no Senado italiano, Foschi forneceu um levantamento detalhado dos diálogos de Schettino com Roberto Ferrarini, chefe da unidade de crise da Costa Cruzeiros, que faz parte da empresa americana Carnival Corp.

O presidente da Costa Cruzeiros declarou que Ferrarini disse ter recebido a primeira ligação de Schettino as 21h57 (hora local), no dia 13 de janeiro, aproximadamente 10 minutos depois de colidir com um rochedo.

“Schettino disse que tinha um grande problema à bordo. Ele disse a Ferrarini que tinha batido numa rocha e que não tinha mais eletricidade no navio. O capitão afirmou que somente uma das câmaras de ar tinha sido inundada”, declarou Foschi.

Em um segundo telefonema às 22h06, Schettino disse a Ferrarini que uma segunda câmara estava cheia de água, mas que “a estabilidade do navio não estava em perigo”.

O comandante “estava muito calmo e disse que a situação estava sob controle”, completou Foschi. Mas as 22h33, Schettino declarou que “o navio se inclinava cada vez mais” e às 22h35 ele disse a Ferrarini que o Concordia seria abandonado.

“Ferrarini declarou que ficou surpreso com a decisão de abandonar o navio. E disse que o diálogo precedente não tinha permitido que ele entendesse que a situação era tão grave”, completou Foschi.

Jornal diz que capitão do Costa Concordia teve ordem de se aproximar

Luigi Foschi também desmentiu as informações do jornal italiano La Repubblica. O diário publicou hoje um diálogo por telefone entre o capitão do navio, Francesco Schettino, e um homem chamado Fabrizio, no dia seguinte ao naufrágio. Durante a ligação o capitão, que não sabia que estava sendo gravado, disse que tinha se aproximado da ilha de Giglio a pedido de um diretor não identificado para saudar os habitantes.

“Fabri (…) outra pessoa não teria sido tão obediente e não teria ido lá”, disse o capitão. “Tinha um rochedo, mas ele não foi indicado pelos instrumentos que eu tinha e eu fui (…) para agradar do diretor”, continuou o capitão.

A discussão, em dialeto napolitano, foi traduzida por La Repubblica em italiano. Uma fonte próxima da procuradoria indicou que a tradução era autêntica.

O presidente da Costa Cruzeiros desmentiu e afirmou que este procedimento não tinha sido autorizado. Ele declarou que a prática de navegar próximo da costa é “adotada por todas as empresas de cruzeiros do mundo” e aceita por “todas as leis”. “Algumas vezes aceitamos, em outras não somos avisados”, tentou explicar Foschi.

“Várias considerações devem ser feitas, mas a velocidade é fundamental. Não podemos navegar a 16 nós (aproximadamente 30 km/h) a 300 metros da costa”, acrescentou.

O capitão do Costa Concordia foi acusado de homicídios múltiplos e abandono de posto antes do fim da retirada de 4.200 passageiros e membros da tripulação. Ontem, foi confirmada uma nova morte, fazendo subir para 16 o número de mortos. Outras16 pessoas continuam desaparecidas.

As operações de busca por desaparecidos e de retirada do combustível no navio Costa Concordia foram retomadas na manhã de hoje, depois de uma curta suspensão devido ao mal tempo.
 

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