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Meio Ambiente

Toneladas de ouro deixam de ser recicladas a cada ano

Áudio 04:19
Televisores e computadores apodrecem em praia.
Televisores e computadores apodrecem em praia. Getty Images

A cada vez que se joga um eletrodoméstico estragado ou um computador que não funciona mais fora, se deixa para traz também uma pequena fortuna. O conjunto dos produtos elétricos e eletrônicos produzidos em 2011 contém cerca de 320 toneladas de ouro, nada menos do que 7,7% da produção do metal em todo o mundo. Mas o mais impressionante é que apenas 15% deste material é reciclado, de acordo com um estudo divulgado pela Universidade das Nações Unidas, a UNU.  

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Tamanho desperdício acontece porque a recuperação de metais preciosos nos produtos eletro-eletrônicos é recente, e ainda não existem técnicas fáceis nem baratas para fazer o trabalho. A UNU criou um centro de pesquisas, com parcerias público-privadas, para desenvolver os estudos sobre o tema, colocando o foco nos países em desenvolvimento, os mais atrasados na recuperação dos materiais recicláveis. Os países pobres são também os que mais movimentam o setor, atrás todo o tipo de retorno financeiro. O problema é que não dispõem das tecnologias para chegar aos mais valiosos dos metais, se contentando com o cobre ou o alumínio, revendidos informalmente.

O lançamento da iniciativa, ocorrido em Gana, chamou a atenção sobre o desperdício e a poluição que técnicas ultrapassadas podem gerar. "Se você só estiver interessado no valor econômico do ouro, por exemplo, pode escolher a técnica mais básica, que nem sempre é nem a mais eficiente, ou seja, não permite recolher o máximo de ouro possível, e muito menos é a forma mais limpa de fazer isso, cuidando do meio ambiente e da sua própria saúde", explica Federico Magalini, membro do programa. "Na Africa acontece muito de simplesmente se queimar os fios elétricos para retirar o cobre de dentro. Eles queimam toneladas de plástico para obter o cobre, e a mesma coisa é feita com vários outros materiais, como ouro, através de procedimentos de diluição que, é claro, não são a melhor solução."

Se transformada em cifras, a quantidade de ouro utilizada em apenas um ano em computadores, tablets e telefones celulares resultaria em cerca de 13 bilhões de euros, ou 32 bilhões de reais. Quilos e mais quilos de platina, paládio e cobalto também são desperdiçados, inclusive na Europa, onde as tecnologias existem, mas são caras demais. Erwann Fangeat, do Departamento de Planejamento de Resíduos da Ademe, a agência francesa de Meio Ambiente e Controle da Energia, afirma que 80% dos resíduos são reciclados na França, mas ainda há avanços a serem conquistados.

"Há muitos centros de tratamento que cuidam dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. Eles desmancham, prensam e encaminham à reciclagem. Mas em relação às frações finais, há muito menos opções", afirmou. "As frações bem finas de metais preciosos podem ser resgatadas de placas de memória, mas existem outros compostos, outros tipos de equipamentos, onde seria possível recuperar ouro ou platina, mas acabam não fazendo. Como é difícil, ainda há muito desperdício, perdemos muito."

 

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