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França/Dia do Trabalho

França reúne 160 mil pessoas em manifestações pelo Dia do Trabalho

Manifestações pelo Dia do Trabalho reuniram milhares de pessoas em Paris, neste 1° de maio de 2013.
Manifestações pelo Dia do Trabalho reuniram milhares de pessoas em Paris, neste 1° de maio de 2013. REUTERS/Charles Platiau

Diante de uma situação econômica e social que enfrenta há meses os efeitos das políticas de austeridade no país e na Europa, as manifestações organizadas por sindicatos franceses pelo Dia do Trabalho reuniram, nesta quarta-feira, dia 1° de maio, cerca de 160 mil manifestantes. A informação foi divulgada no final desta tarde pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) que contabilizou cerca de 286 manifestações em todo o território francês.

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Para este primeiro Dia do Trabalho depois que a esquerda voltou ao poder, há um ano, os sindicatos ressaltaram a urgência de reformas trabalhistas. “A CGT continuará a debater com os trabalhadores, à consolidar as reivindicações, a reforçar o sindicalismo solidário pelas conquistas sociais”, prometeu a organização que já planeja uma nova manifestação no dia 16 de maio.

Em Paris, mais de 16 mil pessoas se reuniram na praça da Bastilha carregando bandeiras com mensagens contra a austeridade e a precariedade. A política de rigor, aliás, foi o principal alvo dos protestos em toda a França. “De esquerda como de direita, não à austeridade”, bradavam os manifestantes em Marselha, no sul da França, onde cerca de 10 mil pessoas se reuniram, segundo os organizadores.

Em Bordeaux, no oeste da França, 6 mil pessoas participaram dos protestos. Já em Toulouse, no sudoeste, as manifestações reuniram entre 3 mil e 5,7 mil pessoas. Em Reims, no leste da França, o chefe da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), Laurent Berger, também criticou as políticas de rigor. “As condições que são impostas aos cidadãos europeus são inaceitáveis. É preciso criar uma Europa econômica e social”, disse ele.

O partido de extrema-direita Frente Nacional realizou a tradicional manifestação na região da Ópera de Paris. A líder do partido, Marine Le Pen, discursou dizendo que a extrema-direita já ganhou no campo das ideias, referindo-se a seu aumento de popularidade em relação ao presidente socialista François Hollande. A manifestação reuniu grupos de extrema-direita vindos de todas as regiões do país, pessoas de todas as idades incluindo militantes jovens que gritaram slogans xenófobos como "a França para os franceses" e "fora Islã".

Desemprego histórico

O número de desempregados atingiu um recorde histórico em março na França, que contabiliza 3,2 milhões de pessoas sem trabalho. De acordo com uma pesquisa feita pelo Conselho Superior do Audiovisual (CSA), 57% dos franceses acreditam que a defesa do trabalho deve ser o primeiro objetivo dos sindicatos.

O presidente francês François Hollande, ratificou hoje sua vontade de “ganhar a batalha pelo emprego”.

Manifestações pela Europa

A luta contra o desemprego e as políticas de austeridade também marcaram as manifestações do Dia dos Trabalhadores em toda a Europa. Milhares de pessoas desfilaram nos protestos organizados pelos sindicatos na Grécia, Espanha, Itália, França, em Portugal e até na Alemanha, primeira economia do bloco, onde a precariedade cresce entre os trabalhadores e se discute a criação de um salário mínimo.

Em sua mensagem pelo Dia dos Trabalhadores, o papa Francisco fez um apelo, no Vaticano, por mais justiça social contra o desemprego. "O trabalho é essencial para a dignidade", disse o pontífice argentino. O papa condenou o que chamou de trabalho escravo, que vitimou mais de 400 trabalhadores no desabamento do Rana Plaza, em Bangladesh, na semana passada.

Na Grécia, país que junto com a Espanha detém o recorde de desempregados na Europa, o sindicato grego GSEE reinvindicou nesse 1° de maio convenções coletivas, empregos, crescimento econômico e direitos sociais democráticos para os gregos.

Na Espanha, as duas maiores centrais sindicais, UGT e CCOO, realizaram 82 passeatas em todo o país.

Em Portugal, a CGTP organizou eventos nacionais, enquanto as comemorações da UGT aconteceram apenas em Lisboa, com uma manifestação sob o slogan “Crescimento e Emprego, Recuperar a Esperança”, com discurso de estreia de seu novo secretário-geral, Carlos Silva.

 

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