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Meio Ambiente

Crise sacrifica orçamentos para meio ambiente na Europa

Áudio 04:15
Ministra francesa Delphine Batho foi demitida do cargo depois de reclamar de redução de 7% do orçamento.
Ministra francesa Delphine Batho foi demitida do cargo depois de reclamar de redução de 7% do orçamento. REUTERS/Stephane Mahe/Files

A crise econômica na Europa tem afetado o orçamento de Meio Ambiente em vários países europeus. Nesta terça-feira, o corte de 7% do orçamento do ministério da Ecologia francês resultou na demissão da ministra Delphine Batho, que não se conformou com a redução e expressou publicamente o descontentamento. A saída dela provocou uma turbulência política com o partido Europe Ecologie – Verts (Europa Ecologia – Verdes), parceiros dos socialistas no poder.

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Os ecologistas questionam se o atual governo está de fato comprometido com essas questões, mas prometeram permanecer aliados de Hollande. Bruno Genty, presidente da organização France Nature Environnement, acha que o governo socialista desperdiça o potencial econômico do desenvolvimento sustentável.

“Nós estamos preocupados sobre a vontade, ou não, do primeiro ministro e do presidente da República de entrarem de verdade na via da transição ecológica, da qual eles tanto falaram durante a conferência do Meio Ambiente de 2012”, afirmou. “Hoje estamos em um contexto no qual temos a impressão de que, no poder, a ecologia é um problema e não uma oportunidade formidável, tanto em termos de emprego quanto de preservação do patrimônio natural.”

O deputado socialista Eduardo Cypel, um dos porta-vozes do Partido Socialista, discorda e reafirma o comprometimento do governo com as questões ambientais. Para o PS, foi a maneira como a ministra se exprimiu em público, reclamando da política econômica do governo, que resultou na sua demissão. “Não tem nada a ver com a política ecológica do governo, que continua forte. Permanecemos totalmente preocupados com a ecologia e com a transição energética”, declarou. “Essa lei será apresentada no segundo semestre, conforme combinado, e é a partir daí que os franceses poderão avaliar as nossas ações.”

O pesquisador Simon Persico, do Centro de Estudos Europeus da Sciences Po, em Paris, avalia que desde o princípio, o presidente francês e o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, demonstram ter pouco apreço às questões ambientais: em pouco mais de um ano de mandato, a ministra da Ecologia já foi trocada duas vezes e o cargo foi ocupado por personalidades com pouco destaque na área.

“Jean-Marc Ayrault e François Hollande têm uma posição bastante afastada do meio ambiente. Essa nunca foi uma prioridade para eles”, resumiu. “Constatamos que depois que eles chegaram no poder, eles fazem muito poucos discursos sobre isso, em comparação com o governo anterior, de Nicolas Sarkozy. E quando fazem, têm pouco comprometimento tanto em termos de orçamento quanto de políticas públicas”, defende o pesquisador.

Crise na pasta atinge a todos, menos Alemanha e países nórdicos

Pérsico observa que esta postura está longe de ser única dos governantes franceses: praticamente todos os países europeus estão promovendo cortes nesta pasta para tentar ajustar as contas públicas. “Constatamos, de uma forma bem clara, que a capacidade de os governos encararem os problemas ambientais depende intimamente da conjuntura econômica. E quando tem uma conjuntura negativa, como é o caso atualmente, o meio ambiente passa para segundo plano. Isso é verdade para quase todos os grandes partidos no poder na Europa, há bastante tempo.”

O pesquisador lembra que a Alemanha e os países nórdicos, marcados por um forte comprometimento com as questões ambientais, mantêm níveis elevados de investimentos nesta área, apesar da crise. “Pode ser uma das razões pelas quais a Alemanha se sai melhor em meio à crise do que a maioria dos outros paises europeus. Este é um setor da economia que pode se desenvolver e onde há investimentos se tornam rentáveis.”
 

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