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Egito/Golpe de estado

Potências evitam termo "golpe de Estado" para situação egípcia

Soldado egípcio monta guarda diante do Supremo Tribunal Constitucional, após golpe de Estado
Soldado egípcio monta guarda diante do Supremo Tribunal Constitucional, após golpe de Estado REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

O presidente foi deposto por militares, a Constituição, suspensa, e 300 mandados de prisão emitidos para membros do ex-partido no poder. Apesar do cenário clássico, nenhuma potência ocidental classificou o que aconteceu nesta quarta-feira no Egito de golpe de Estado. Partidários do ex-presidente preparam manifestações populares de apoio a Mohamed Mursi nessa sexta-feira. 

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A declaração mais incisiva partiu do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, que denunciou uma "falha grave" para a democracia no país. "É urgente que o Egito retorne o mais rápido possível a uma ordem constitucional", ele acrescentou, somando-se a várias outras vozes europeias. Quase um uníssono com a União Europeia, que pede a "volta rápida ao processo democrático". Para o secretário geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, "um governo civil deve ser restabelecido assim que possível, refletindo a vontade popular".

O presidente Barack Obama se disse "profundamente preocupado" com a evolução da situação política no mais populoso dos países árabes, a quem os Estados Unidos enviam considerável ajuda militar. "Agora apelo ao poder militar egípcio que entregue rapidamente e de forma responsável toda a autoridade a um governo civil, eleito democraticamente por um processo aberto e transparente", afirmou.

Obama se comprometeu a estudar, junto aos ministérios envolvidos, as "implicações" legais da nova situação egípcia com relação à ajuda militar: de acordo com a legislação americana, Washington não pode fornecê-la a países onde ocorreram golpes de Estado. Não que seja o caso do Egito... Pelo menos, o presidente não disse isso abertamente. Mas evacuou sua embaixada no Cairo.

O chefe da diplomacia britânica, William Hague, foi ainda mais esquivo, apesar de denunciar o "precedente perigoso" aberto pela deposição de Mohamed Mursi: "Não apoiamos intervenções militares em regimes democráticos, mas trabalharemos com as autoridades estabelecidas no Egito".

Do lado russo, o pedido foi igual ao do chanceler francês Laurent Fabius, por "democracia, sem violência e com respeito aos interesses de todas as camadas sociais e religiosas da sociedade egípcia". Essa foi a declaração oficial do ministério das Relações Exteriores. O presidente da comissão de Relações Exteriores da Duma, Alexei Pouchkov foi mais incisivo: "A primavera árabe não desaguou na democracia, mas no caos". A China, por sua vez, foi lacônica. Disse respeitar a escolha do povo egípcio e pediu diálogo e reconciliação.

No mundo árabe, as reações foram um pouco menos insossas. O rei Abdallah, da Arábia Saudita, felicitou o presidente interino Adly Mansur antes mesmo de seu juramento. A Síria, com quem Mohamed Mursi rompeu relações diplomáticas, classificou sua queda como "grande feito". Mahmoud Abbas, presidente da Palestina, parabenizou o papel do exército, que "impediu (o Egito) de descambar para um destino desconhecido".

Israel não disse nada. Mas uma fonte no governo que não quis se identificar afirmou que "a situação atual manda ondas de choque para todo o mundo árabe, o que causa certa preocupação em Israel".

 

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