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Egito/Manifestação

Milhares de islamitas pedem a volta de Mursi à presidência do Egito

Partidários do presidente deposto Mohamed Mursi protestam na praça Rabaa Adawiya, no Cairo, nesta sexta-feira, dia 19 de julho.
Partidários do presidente deposto Mohamed Mursi protestam na praça Rabaa Adawiya, no Cairo, nesta sexta-feira, dia 19 de julho. REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

Milhares de partidários do presidente deposto Mohamed Mursi se reuniram nesta sexta-feira, dia 19 de julho, na praça Rabaa Adawija e nas redondezas da Universidade do Cairo para pedir a volta do líder islamita. Organizados pelo partido Irmandade Muçulmana, os protestos reclamam que Mursi foi eleito democraticamente e que o voto da população não foi respeitado.

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A multidão gritou frases de apoio a Mursi e levou cartazes com mensagens como "para onde foi meu voto?", em referência às eleições que levaram Mursi ao poder, em junho de 2012, considerado como o primeiro processo democrático do país.

Uma parte dos manifestantes se dirigiu ao ministério da Defesa e ao quartel general da Guarda Republicana, mas foram impedidos de chegar a seu destino pelas forças de ordem.

“Tenho certeza que Mursi vai voltar a ser presidente, se Deus quiser. O povo terá a última palavra”, espera Mohammed, um manifestante pró-Morsi de 45 anos.

Manifestações dos opositores do presidente deposto também acontecem na praça Tahir e próximas ao palácio presidencial, na capital egípcia.

“Quem recorrer à violência nas manifestações desta sexta colocará sua vida em risco”, advertiu o Exército egípcio em um comunicado, já que os militares e a polícia também são alvo dos confrontos. De acordo com fontes médicas, quatro policiais foram mortos em menos de 48 horas.

Sobre a continuidade dos protestos islamistas, o presidente interino Adly Mansour declarou ontem na televisão estatal que ele continuará a batalha pela segurança no país. “Nós estamos em um momento decisivo da história do Egito”, ressaltou.

A escalada das violências que aconteceram após a deposição de Mursi deixaram uma centena de mortes em pouco mais de 10 dias. O incidente mais violento aconteceu dia 8 de julho quando mais de 50 pessoas morreram em confrontos com a polícia diante do quartel general da Guarda Republicana.

ONU pede explicações

A Organização dos Direitos Humanos (ONU) anunciou nesta sexta que sua alta comissária de Direitos Humanos, Navi Pillay, se reuniu no dia 10 de julho, com o embaixador do Egito em Genebra para pedir explicações sobre as violências e prisões do dia 3 de julho, dia em que Mohamed Mursi foi deposto.

O objetivo da reunião entre Pillay era de averiguar o número de pessoas presas e sobre qual base jurídica se baseia a detenção do presidente deposto Mohamed Mursi e outros integrantes de seu governo.

A ONU também quer mais informações sobre a comissão de investigação instaurada pelo governo interino sobre o massacre do dia 8 de julho, quando mais de 50 manifestantes partidários de Mursi morreram e 300 ficaram feridos no Cairo, em frente ao quartel da Guarda Republicana.

De acordo com o porta-voz da ONU, o pedido de informações sobre os dois incidentes foram formalmente requisitados por escrito ao governo egípcio no dia 12 de julho. “Até hoje, não recebemos nenhuma resposta”, declarou nesta sexta.

Navi Pillay informou que pretende enviar uma equipe para o Egito a fim de acompanhar as investigações no local. “Nós esperamos a autorização das autoridades e, logo que a obtivermos, uma equipe está pronta para partir”, ressaltou hoje o porta-voz.
 

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