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Reportagem

Em meio a peregrinos, manifestantes fazem "Marcha das Vadias"

Áudio 02:52
Fantasiada de freira, Beatriz Lopes trazia cartaz a favor do aborto.
Fantasiada de freira, Beatriz Lopes trazia cartaz a favor do aborto. RFI

Ao mesmo tempo em que milhares de peregrinos católicos chegavam à praia de Copacabana para participar da vigília com o papa Francisco nesta noite de sábado, cerca de 400 feministas e apoiadores dos direitos das mulheres promoveram um protesto, a Marcha das Vadias. Uma das principais reivindicações era a legalização do aborto, prática a que a igreja se opõe.

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Beatriz Lopes se fantasiou de freira, mas usando saia e apenas um sutiã e palavras de protesto pintadas pelo corpo. “De qualquer forma, o aborto vai continuar existindo, portanto é preciso legalizá-lo. E além disso, a mulher é dona do seu corpo”, afirmou.

Com cartazes contra a violência doméstica e sexual e a favor da liberdade, os manifestantes também tinham a igreja como alvo “Se o papa fosse mulher, o aborto já seria legal”, cantavam. Algumas tinham os seis à mostra.

Também homens se uniram à manifestação, vestidos de mulheres e portando cartazes que, com ironia, pediam o respeito e a igualdade para as mulheres. Douglas Mendes era um deles. “A gente tem o papel de desconstruir a masculinidade e os processos que oprimem as mulheres em meio a relações de poder. Este é um processo que não para. É constante”, contou.

Não apenas apoiadores das causas feministas estavam presentes. O grupo Católicas pelo Direito de Decidir veio mostrar um outro ponto de vista da igreja sore o aborto. “As mulheres católicas encontram respaldo na própria igreja, que fala do recurso da consciência e do probabilismo: onde existe a dúvida, existe a liberdade”, explicou Yury Orozco, uma das coordenadoras do movimento

Enquanto isso, os peregrinos católicos passavam pela manifestação em direção ao palco principal da Jornada Mundial da Juventude, no Leme. Muitos pareciam não entender o que acontecia, outros desviavam o caminho. Um grupo de argentinos tentou afrontar os manifestantes, afirmando “Viva o papa”. Integrantes da Marcha hostilizaram os católicos, à distância, e eles partiram minutos depois.

A pernambucana Ingrid Santos achou que o protesto feminista - que ocorre todos os anos nesta data - acontece na hora errada. “Todo mundo tem o direito de se expressar, mas existe um momento certo para cada coisa”, avalia. Wedja Thuani não concorda com as causas da manifestação, mas respeita o direito de as feministas irem para a rua. “Eu acho que eles estão no direito deles. Eles devem fazer isso se acham que é certo, assim como a gente tem o direito de vir para cá”, observou.

A Marcha das Vadias acontecia no posto 5 de Copacabana, a cerca de quatro quilômetros do palco principal da Jornada Mundial da Juventude.

Para escutar a reportagem completa, clique em "ouvir", acima.

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