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Reportagem

40 anos após golpe militar, herança de Pinochet ainda pesa sobre o Chile

Áudio 10:11
Fotos das vítimas de violações dos direitos dos direitos humanos durante a ditadura são exposts antes de uma cerimônia em um antigo centro de tortura de Santiago, nesta terça-feira, 10 de setembro de 2013.
Fotos das vítimas de violações dos direitos dos direitos humanos durante a ditadura são exposts antes de uma cerimônia em um antigo centro de tortura de Santiago, nesta terça-feira, 10 de setembro de 2013. Reuters/Ivan Alvarado

Em 11 de setembro de 1973, um golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet derrubou o governo socialista de Salvador Allende no Chile. Era o início de uma ditadura que iria durar 17 anos e deixar cerca de 3.200 mortos e desaparecidos. Estima-se que 38 mil pessoas tenham sido torturadas pelos agentes do regime. Quarenta anos depois, o Chile comemora esse aniversário agitado pela onda de protestos que começou em 2011 exigindo mudanças em uma estrutura social e econômica que ainda carrega os traços da ditadura.

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"A estrutura econômica e social do Chile ainda é a mesma que foi deixada por Pinochet", aponta o professor de história contemporânea da Universidade de São Paulo Osvaldo Coggiola. Essa herança da ditadura inclui um sistema de educação privatizado, que cobra altas taxas para um serviço público de má qualidade. A melhoria da educação foi a reivindicação central do movimento de protesto que começou há dois anos reunindo principalmente os mais jovens, que não viveram a ditadura militar.

"Acho que esses 40 anos têm um força particular. Está terminando um ciclo político iniciado com o golpe de Estado. Os movimentos sociais de 2011 nos fizeram perceber a verdadeira herança da ditadura. Além dos crimes horríveis que atingiram uma parte da população, a herança mais profunda da ditadura é um modelo econômico muito desigual, um sistema político que não permite a participação e uma Constituição feita para que os direitos econômicos prevaleçam sobre os direitos sociais", analisa a atriz Javiera Parada, de 39 anos, militante da esquerda chilena.

"Acho que nestes 40 anos pela primeira vez estamos discutindo sobre os motivos reais do horror sistemático implementado no Chile", diz ela, que ainda muito jovem ela sofreu as consequências da ditadura de Pinochet. Seu avô, o líder comunista Fernando Ortiz, foi sequestrado em 1976 e ficou desaparecido até 2001, quando a família conseguiu identificar seus restos mortais e enterrá-lo. Seu pai, o sociólogo José Manuel Parada, foi torturado e degolado por agentes da ditadura em 1985.

Campanha eleitoral

Em plena campanha para a eleição presidencial marcada para o dia 17 de novembro, esse aniversário do golpe militar tem uma forte carga simbólica. Líder nas pesquisas de intenção de voto, a ex-presidente socialista Michelle Bachelet foi torturada pela ditadura militar. Sua principal rival é a candidata de direita Evelyn Matthei.

Ambas filhas de militares, elas foram amigas de infância, quando moravam na mesma base aeronáutica. Mas no momento do golpe de Estado o pai de Michele Bachelet ficou do lado do presidente Salvador Allende, o que fez com que fosse torturado e assassinado. Já o pai de Evelyn Matthei apoiou o general Pinochet e passou a fazer parte da junta militar que governava o Chile.

O historiador Osvaldo Coggiola acredita que embora ainda seja um tema que causa divisão na sociedade chilena, a memória da ditadura militar não deve ser decisiva nesta eleições. "As propostas para resolver os problemas do Chile de hoje é que serão decisivas. Apesar de ser mostrado como um país exemplar na América Latina, o Chile tem sérios problemas relativos ao seu sistema educacional e ao desemprego", analisa ele.

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