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Meio Ambiente

Avanço das cidades faz França perder áreas agrícolas

Áudio 04:00
Com placas, agricultores de Fegersheim protestam contra a construção de uma área para eventos.
Com placas, agricultores de Fegersheim protestam contra a construção de uma área para eventos. © Charlotte Stiévenard

A França, a maior potência agrícola da Europa, perde 82 mil hectares por ano das suas terras agrícolas com a expansão das cidades e zonas urbanas. A área é o equivalente a um departamento francês a cada sete anos, semelhante à superfície do Distrito Federal. O problema fez o governo francês criar um órgão para avaliar a extensão do fenômeno e verificar se pode comprometer a produtividade rural francesa no futuro.

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As comunidades pequenas são as que mais sentem o impacto, principalmente as que se situam no entorno das grandes cidades, as regiões mais afetadas. “Posso citar algumas cidades como Montpellier, Toulouse, Nantes ou a região parisiense. A população de Toulouse e Nantes, por exemplo, aumenta de 20 a 25 mil pessoas por ano. Significa que, em torno destas cidades, acabamos com o equivalente a uma comunidade, cerca de 250 hectares por ano, em prol de moradias e da atividade econômica ligadas à chegada destas pessoas”, afirma Dominique Barreau, secretário-geral da Federação Nacional de Produtores Agrícolas.

Damien Barthes é um pequeno produtor de Fegersheim, na região da Alsácia, fronteira com a Alemanha. Ele relata que, nos próximos cinco anos, deve ser obrigado a se desfazer de 20 hectares para o governo poder construir novas áreas urbanas, o equivalente a um terço da sua propriedade. “Tudo vai sumir dos mapas agrícolas para ser transformado em zona de logística ou não sei o quê. Eles podem dizer o que quiserem: o fato é que tudo vai desaparecer”, lamenta. O agricultor questiona a relevância das obras que são feitas onde antes se plantava grãos e criava animais. “É mesmo necessário perder 100 hectares para poder dizer que deu emprego para alguns pedreiros, mas no fundo não tem nada demais? Se é para ter uma região vazia, com alguns postes de luz, para mim, não há qualquer vantagem.”

Preocupado com o problema e sobretudo com a desmotivação dos mais jovens em seguir na profissão, diante deste contexto, o Sindicato dos Jovens Agricultores da região de Bas Rhin enfrenta as prefeituras para tentar evitar que ainda mais terras agrícolas sejam transformadas em áreas urbanas. “Nós tentamos convencer as pessoas a preservar as terras, mas imediatamente temos reações dos governantes e também dos donos de empresas e dirigentes comerciais, afirmando que somos contra o desenvolvimento econômico”, relata o presidente da entidade, Didier Braun. “Mas estamos conscientes de que amanhã vão continuar pegando terras para construir ainda mais. O que dizemos é que podemos reduzir esta perda de terras e podemos manter e desenvolver a economia utilizando o que já foi tomado da agricultura, revalorizando antigas instalações, preenchendo o que foi tirado, demolindo e reconstruindo.”

Por enquanto, o Observatório Nacional do Consumo de Espaços Agrícolas, criado pelo governo francês para avaliar a situação, está recolhendo informações sobre o assunto. As primeiras conclusões devem sair até dezembro.
 

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