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Fato em Foco

Festival na França reúne marionetes dos cinco continentes

Áudio 06:20
O artista Ariel Doron apresenta uma versão israelense de Polichinelo no festival de Charleville-Mézières.
O artista Ariel Doron apresenta uma versão israelense de Polichinelo no festival de Charleville-Mézières. © DR

Pequeninas ou gigantescas, tradicionais ou inovadoras, feitas de papel, madeira e tecido ou projetadas por um computador. Um exército de marionetes toma conta a partir desta sexta-feira de Charleville-Mézières, na região nordeste da França. Capital internacional do teatro de bonecos, a cidadezinha de 50 mil habitantes abriga um dos maiores festivais do gênero, além de uma escola e de um centro de documentação que são referência em todo o mundo. Clique em "Ouvir" para conferir o programa completo.

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Com uma centena de companhias dos cinco continentes, o Festival Mundial de Teatros de Marionetes oferece a cada dois anos um panorama da enorme variedade de estilos dessa arte.

Esta 17ª edição tem como fio condutor a ideia de passagem - de uma cultura a outra, de uma técnica a outra ou de uma geração a outra.

A diretora do festival, Anne-Françoise Cabanis, explicou à RFI quais são as grandes tendências atuais da arte da marionete: "Para os franceses e europeus eu diria que o principal objetivo é acabar com a ideia de que o teatro de bonecos é coisa de criança. Ele pode ser feito para um público infantil, mas tradicionalmente a marionete sempre se dirigiu a um público mais amplo, de adultos. Além disso, a tendência atual é misturar as tradições. Por exemplo nós temos no programa um espetáculo de uma companhia indiana que se baseia em um épico hindu mas trabalha com uma técnica japonesa."

"Outra tendência do teatro de marionetes é englobar todas as vertentes do teatro de sombras, ou seja, que utiliza luz e figuras. E hoje em dia trabalha-se muito com as novas tecnologias, o que dá um aspecto ainda mais contemporâneo ao teatro de bonecos. Temos por exemplo um espetáculo chamado 'O Andróide', que é um diálogo entre humanos, robôs e marionetes", acrescentou ela.

Exílio

O espetáculo de abertura do festival ficou a cargo de uma jovem companhia francesa encabeçada pelo diretor Benoît Mousserion. Ele viaja pelo interior do país construindo marionetes gigantes com a ajuda dos moradores locais.

Da sua experiência com um grupo de famílias exiladas nasceu "Vênus", que convida o público a caminhar com um boneco de mais de sete metros de altura acompanhado de 40 figurantes equipados de malas. Tudo isso em meio a efeitos pirotécnicos e música especialmente composta para o espetáculo.

Político e poético, "Vênus" mostra o exílio também como uma condição existencial, segundo o diretor Benoît Mousserion: "Todos temos momentos em que nos sentimos quase como clandestinos na nossa própria vida. Esses momentos em que deixamos um território íntimo, afetivo, e procuramos nos instalar em um outro território."

"'Vênus' é um espetáculo que fala ao mesmo tempo da História com H maiúsculo, do que vemos no noticiário, e do trajeto de um homem solitário com sua bagagem. Essa bagagem pode ser vista como as malas nas quais carregamos nossos pertences ou como algo mais pessoal, nossos afetos. E às vezes essa bagagem nos acompanha e nos ajuda, em outras ela se transforma em um obstáculo que devemos ultrapassar", explicou ele.

Disputa

A diretora Anne-Françoise Cabanis contou que entre as novidades desta edição do festival está uma competição entre os bonecos tradicionais de vários países: "Na nossa grande praça ducal organizamos todos os dias disputas de polichinelos. Trata-se de um personagem divertido e irreverente que encontramos com diferentes nomes em todas as culturas. Ele é imemorial e ao mesmo tempo muito contemporâneo e pode comentar com bastante humor a atualidade."

O Brasil será representado neste desafio por Eder de Paiva, acreano radicado no sudoeste da França, que renova a tradição nacional dos mamulengos. Ele foi estudante na escola de marionetes de Charleville. (Clique em "Ouvir" no alto à esq. para conferir a entrevista no programa)

Outro brasileiro instalado na Europa, Duda Paiva, é destaque na programação com seu espetáculo "Bestiário", que mescla dança e marionetes.

O festival de Charleville-Mezieres vai até o dia 29 de setembro.

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