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França

Risco de enchente em Paris leva Louvre a transferir parte da coleção

Áudio 04:02
A enchente de 1910 foi a pior em Paris nos últimos 100 anos
A enchente de 1910 foi a pior em Paris nos últimos 100 anos Foto: Wikimedia Commons

O risco de que uma enchente ocorra em Paris é real e preocupa os especialistas. Em 1910, uma cheia histórica do rio Sena inundou a cidade, causando estragos em diversos bairros. Na época, na ponte da estação de Austerlitz, por exemplo, o nível da água chegou a 8,62 metros, o maior da história da capital.

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O risco de enchente em Paris é uma ameaça palpável, ressalta Magali Reghezza, geógrafa da Escola Normal Superior, especialista em riscos naturais e catástrofes nas cidades.

Recentemente, o tema virou assunto na imprensa francesa com a decisão do Louvre de transferir parte de sua coleção para a filial em Lens, no norte da França, já que as obras estão guardadas em uma área do museu sujeita a inundações.

"Desde o ano 2000 os grandes museus parisienses receberam uma ordem formal para criar um plano para proteger suas coleções e o Louvre acatou essa decisão. A direção percebeu que isso não seria suficiente e melhorou e adaptou esse plano enviando uma parte das obras para Lens", diz.

Autora do livro "Paris Coule-t-il?", ou em tradução livre, "Paris pode afundar ?", ela explica que a cidade aos poucos se prepara para uma enchente como a que ocorreu há 100 anos, que teria um impacto catastrófico na economia do país, com perdas estimadas entre 20 e 40 bilhões de euros.

Para a geográfa, hoje a Grande Paris, que conta com mais de 10 milhões de habitantes, é mais vulnerável do que há um século.

"Paris pode, assim como outras cidades do mundo, ser atingida por inundações graves, que poderiam provocar consequências catastróficas, não somente em termos econômicos. No pior dos casos uma parte da vida cotidiana seria totalmente paralisada", diz.

Segundo ela, é difícil fazer uma previsão. "Só sabemos que isso acontecerá um dia, e quando acontecer, se a cidade não estiver preparada, as consequências podem ser graves. Seja Londres ou Nova York, ou Tóquio, todas essas grandes cidades são ameaçadas por riscos naturais, além de outros riscos, como atentados, e se preparam como podem", diz.

Segundo a geográfa, as medidas de precaução acabam sendo limitadas.Tecnicamente, na região de Ile de France, onde está situada Paris, foram implantadas medidas de gestão, entre elas, barragens para tentar diminuir o nível da água, diques e projetos para proteger a maior parte da infraestrutura importante para o dia-a-dia."

De acordo com a especialista, em Paris também foram implantadas novas regras de urbanização, além de um plano de gestão de catástrofes, para preparar os políticos, serviços de segurança e a população para este tipo de situação.

 

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